Não é só por haver alguns membros em comum que aproxima os Zozobra dos Old Man Gloom, é todo um conceito: Zozobra é o nome que os locais de Santa Fé, cidade do estado de Novo México, nos EUA, dão ao monstruoso Old Man Gloom, através dos quais exorcizam anualmente os seus demónios. Se a banda de Aaron Turner é dada à exploração de todos os extremos da diabólica convivência humana, como “Christmas” e mais recentemente “NO” serviram para demonstrar, este “Savage Masters” é uma ode à violência de um death n’ roll com doses de groove claramente desaconselhada para os mais fracos ao nível cardiovascular.

Não há muito a dizer de um extended play que não se estica além dos quinze minutos. São cinco malhas para abanar a cabeça, sempre com o peso da riffaria a la Entombed como porta-estandarte da javardice cheia de balanço que sempre caraterizou os norte-americanos. “Deathless”, à cabeça, surge como uma das linhas melódicas mais enérgicas que 2013 poderá encontrar em géneros pesados e o segredo não reside na novidade, mas sim no clássico equilíbrio, tão típico do sludge quanto do hardcore mais porcalhão (de notar que a falta de banho é o denominador comum da equação), entre baixo distorcido em todas as frequências e guitarradas recortadas e sonantes.

Talvez este “Savage Masters” seja mesmo um repto, uma forma dos Zozobra dizerem que, no que ao uso da violência diz respeito, em nada ficam atrás dos seus irmãos conceptuais Old Man Gloom. E não se enganem, nos outros aspectos, mais ambientais, músicas como “A Chorus of War” demonstram que os norte-americanos não perdem pela demora a lá chegar. Os seus elementos mais ruidosos estão ao nível dos autores de “Christmas” e os seus riffs conseguem transmitir uma energia que não se sentiu de forma tão imediata em “NO”, a julgar pelo peso com que faixa final do EP, “Born in a Blaze”, se abate sobre tímpanos e corpo. Alguém anda a fazer bem as coisas, não há dúvidas.