Na altura da edição de Stridulum, lembro-me de ter referido o dito álbum como a melhor descoberta do ano. No fundo, toda esta temática de recuperação de componentes sonoras passadas e de algumas experiências que bandas como os Siouxsie and the Banshees, misturando pitadas de electro-pop e experimentalismo, faziam Zola Jesus soar à proposta mais genuína e refrescante do ano passado.

Não sendo definitivamente um álbum de aquisição imediata, é um álbum que, por não constituir novidade, perde alguma da magia que estava associada a Stridulum. Já se conhecem os movimentos de Zola Jesus e toda a estupefacção sentida com o álbum anterior não é desta feita notada. Apesar disso, Conatus não deixa de ser uma proposta extremamente aliciante e as novas vocalizações, tal como a introdução de cordas e de bateria real, marcam de forma positiva o disco.

Conatus, palavra originária do latim e tendo como tradução passo em frente, transmite aquilo que este álbum significa na discografia de Zola Jesus. No fundo, notam-se muitas diferenças, mais acústico e uma predominância da voz em relação às composições sonoras. A grande conquista de Conatus é mesmo a sobreposição da voz, mais negra, bela e emocional, a qualquer outra forma musical.

Se fosse possível caracterizar este álbum numa forma de estadios, dir-se-ia que representa a progressão do arcaísmo de Stridulumpara uma forma musical adulta e madura.