Uma. É este o número necessário de audições para se perceber que “Tocsin” é, provavelmente até de longe, a melhor criação até à data dos Year Of No Light. Se estivéssemos perante uma discografia desprezível, esta afirmação poderia ter pouco impacto, no entanto os franceses já apresentam um leque respeitável em qualidade e quantidade de discos e colaborações, o que comprova novamente a incrível capacidade de regeneração do sexteto.

Em “Tocscin” existe ambição e essa será mesmo a palavra que melhor os define, mantendo o desígnio de nunca estarem presos a uma fórmula e terem sempre a noção de que um álbum deve apresentar algo novo e diferente. Como se a cada momento tivessem como preponderante a reinvenção e, um tema como “Alamüt” e a sua tendência inicial, e em crescendo kraut,é o melhor exemplo disso.

Mais uma vez se atesta que a voz já não teria qualquer impacto neste ambiente. Pelo contrário, seria dissonante e inoportuna. A articulação entre as guitarras com a sua estridência irascivelmente viciante, a par de uns incisivos sintetizadores, dá a constante sensação de desassossego, que o diga a faixa “Désolation”. Aliás, apesar das duas baterias, são as teclas e as cordas que mais pesam e, mesmo que já o tenhamos sentido em “Ausserwelt”, desta feita, tornam-se menos de acompanhamento e mais repletas de um teor obscuro que condiz com a sensação de clausura do quinteto de malhas.

“Tocsin” está atulhado de contextos sonoros fortes, imponentes, magistrais e a roçar o épico. Os bordaleses acabam por demonstrar que o registo conjunto com thisquietarmy não foi descabido, mostrando também que continuam a ter peso suficiente para dar razão à rodela colaborativa com os Altar Of Plagues. Os Year Of No Light são, agora, uma banda que consegue tocar em vários pontos e adequar-se a várias circunstâncias. Não são de extremos opostos e acabam por expor a sua capacidade para unir a contraposição e a dinâmica.

Se a banda-sonora “Vampyr” já indicava que estavam no caminho certeiro, o terceiro longa-duração vem confirmar e testemunhar que por aqui reside a sua obra-mestra.