O mundo do electro-pop/indie já está saturado há muito tempo. É raro aparecer alguma coisa realmente inovadora e, portanto, há centenas de bandas a praticar uma sonoridade muito idêntica. Resultado: na maior parte dos casos, as bandas acabam por ter um comportamento de one-hit wonders e, após um sucesso efémero, eclipsam-se tão rapidamente como aparecem. Não vou dizer que os YACHT – ou Y▲CHT, com triângulozinho, porque é mais fixe – se destacam especialmente nesse universo, mas lá que são competentes e dedicados, isso são.

Ao vivo, para dar mais corpo à sua música electrónica, a dupla formada por Jona Bechtolt e Claire Evans apresenta-se com um reforço de dois elementos – Bobby Birdman e Jeffrey Brodsky – e, como é usual neste tipo de bandas, em palco abraça-se mais o rock do que em estúdio. Essa é uma estratégia que costuma resultar bem e a noite de sábado não foi excepção. Cheios de energia e boa disposição, os YACHT não perderam tempo e, desde logo, tomaram conta o palco com os seus ritmos festivos e dançáveis.

Ainda no início do concerto, os YACHT interromperam curiosamente o concerto entre temas e mostraram uma espécie de power-point bem humorado onde, para além de apresentarem cada elemento individualmente, deram uma pequena lição de geografia (onde é que já se viu norte-americanos a ensinar geografia seja a quem for?). Foi um momento inesperado e estranho, mas acabou por não prejudicar o espectáculo (talvez tenha até conquistado alguns pontos de simpatia no público) uma vez que a festa, sempre empolada pela sensualidade natural de Claire, retomou como se nunca tivesse parado.

Notava-se que os norte-americanos tinham a máquina bem oleada, aliás, o concerto de Guimarães seria o último da tour europeia e talvez devido a esse facto, sentia-se que os YACHT estavam entusiasmados (daí os pontos extra que lhes dou por dedicação). Foram várias as vezes que Claire e Jona invadiram a plateia e, numa dessas incursões, Claire exorcizou, muito literalmente, todos os que lhe apareciam à frente ao som de Afterlife. Mais tarde, numa versão de Psychic City bem mais intensa que a que se ouve em See Mystery Lights (2009), os YACHT incendiaram a sala. Formou-se uma ligação forte com o público, ligação essa que esteve evidente uma vez mais no (muito solicitado) encore graças aos orelhudos la-la-la’s de Shangri-La – tema que deu o nome ao mais recente disco da banda.

Nos seu concertos, os YACHT falam num estado independente que só existe dentro dos seus espectáculos – chamam-lhe TAZ (Temporary Autonomous Zone). Em Guimarães ficou a sensação de terem ido um pouco mais longe do que isso e, para aquelas dezenas de pessoas, durante cerca de uma hora e meia transformaram mesmo a Capital Europeia da Cultura em Shangri-La – o paraíso lendário ao qual dedicam o seu último álbum.