Há dois lados em confronto nos discos de Wolves in the Throne Room: ora a dupla nos está a arrancar a cabeça com blast beats e riffs a rebentar a escala de épico estabelecida nos melhores momentos do Senhor dos Anéis, ora nos estão a tentar hipnotizar com a momentos puramente ambientais, reminiscentes das suas ligações pagãs à terra. Basicamente, através da sua alquimia estranha, os norte-americanos separam a ambiência e a música no black metal e apresentam-nos em momentos diferentes.

Este resultado, ainda que completamente arrepiante nas tais “músicas propriamente ditas”, era enfastiante nos demais momentos. O terceiro e último capítulo da estória iniciada em Two Hunter também é o fim das secas. Foi preciso os Wolves in the Throne Room virarem-se para o céu, com Celestial Lineage, para descobrir o equilíbrio entre a dualidade do que faziam – quase como uma traição aos princípios do paganismo, chegando a uma espécie de gospel, nas suas missas corais. E se a isso adicionarmos as habituais incursões no black metal, melódicas como poucas, temos neste último álbum dos norte-americanos uma das pérolas do ano, que podia ser resumida à vontade eléctrica de Subterranean Initiation, ou até na mais trabalhadaAstral Blood, com o seu interlúdio de harpa e algumas incursões nos ambientes doom. Em boa verdade, o seu último álbum também dita o fim desta dualidade.

Os Wolves in the Throne Room unificados na sua vontade de insaciável de violência gráfica e na inerente solidão do black metal vão deixar saudades, a confirmar-se o fim da banda no final da próxima digressão (anunciado na semana passada pela revista Terrorizer). Se se aponta os Agalloch como os reis do BM mais ambiental, não se tem em conta o último Celestial Lineage, que deixa bem claro que é possível manter-se a crueza do género e a beleza dos demais, mais preocupados com essa estética barroca. Ainda estou assoberbado pela última audição de Subterranean Initiation.