Quando os Whores. se estrearam com “Ruiner.”, no final de 2011, as comparações a Melvins e a The Jesus Lizard surgiram rapidamente. Também “Clean.” relembra rapidamente os veteranos liderados por King Buzzo na sua vertente mais próxima do sludge, particularmente quando a guitarra é interrompida e ouvimos apenas a voz de Christian Lembach a contrastar com o poderoso baixo em “Baby Bird”. Mas sentimos igualmente a energia de uns Fugazi ou de uns Shellac inflamados tanto no final dessa faixa como no de “Cougars, Not Kittens”, onde o conjunto de Atlanta dedica quase 2 dos 25 minutos deste álbum ao feedback e ao noise.

O espírito punk também se manifesta na breve discografia da banda através do misto de seriedade e despreocupação, na agressividade e descontentamento com a sociedade que não os impede, ao mesmo tempo, de dar às suas faixas títulos como “I Am Not A Goal Oriented Person” ou “I Am An Amateur At Everything”. O mais curioso será talvez o seu cuidado com o estéreo, com as constantes mudanças no posicionamento dos instrumentos, surgindo a guitarra ora à esquerda, ora à direita, ora à esquerda novamente com um novo timbre. Mas é do fuzz e dos ritmos arrastados, não dos preciosismos, que vivem os Whores., e as paredes de som nos refrões chegam a recordar a densidade de uns Eyehategod.

Moroso e, por vezes, redundante, este “Clean.” acaba por soar mais longo do que verdadeiramente é, ainda que, no geral, esse seja um aspecto positivo. Imagina-se que será uma banda que valha bem a pena ver ao vivo, e podemos fazer a preparação em casa. Cuidado é com as pesquisas no Google.