White Hills outra vez. Pela terceira vez num espaço de tempo que a memória desgastada ainda consegue balizar mas também não é difícil: Amplifest 2012, Reverence Valada 2014 e agora novamente pela mão do Reverence num warm-up para o festival que terá lugar no final de Agosto. São três vezes em pouco tempo mas, tal como o metamórfico trabalho de estúdio da banda, nenhum dos dois concertos anteriores foi igual. A terceira vez não foi diferente.

Antes disso, subiram ao palco Los Saguaros. Do Barreiro, informaram. Som bem-humorado (embora nem sempre muito bem correspondido pela audiência mortiça) e descomplexado passando por entre as malhas do surf rock e do rockabilly com tempo para dedicatórias a Marlon Brando e piadas sobre serem os White Stripes. Tudo muito certo.

Quando Dave W. sobe ao palco para começar a cantar o primeiro tema, já a cadência de baixo e bateria tinha hipnotizado oMusicbox. Este é dos poucos momentos onde a guitarra carregada de efeitos não domina a paisagem. O mundo de psicadelismo passa para o ecrã gigante atrás onde, um pouco como acontece com as ondas sonoras da banda de Nova Iorque, caras e figuras se vão desmultiplicando uma e outra vez.

O mote é dado com “Walks For Motorists”, praticamente acabado de sair pela Thrill Jockey. Segue a linha tradicional de psychedelic/space rock com tendências psicotrópicas que o duoDave W./Ego Sensation tem vindo a caminhar desde o início. Os temas do álbum remetem para um imaginário que já é bem próprio e um universo de jam permanente que se estendeu ao concerto. Apesar das músicas serem fiéis às versões de estúdio, nota-se que, mesmo tendo o álbum pouco tempo, já há vontade de expandir face ao cânone, ainda que seja um cânone próprio e que é já de si dado a movimentações constantes.

A hora passa a correr. O encore tem mensagem anti-corporativista antes de começar, algo que também não é novo no percurso deWhite Hills. O inconformismo fica-lhes claramente melhor na música onde as expansões do som para novos territórios resultam de forma cada vez mais estrondosa. Já são uma banda única e vão-no sendo cada vez mais. Espera-se que mantenham o bom hábito de cá voltarem regularmente, que ninguém se cansa.