Com a informação que a lotação estava esgotada eram muitos aqueles que, com cartazes ou pedidos vocais, inquiriam os presentes para a venda de bilhetes, não querendo perder alguns dos artistas que iriam actuar no festival urbano de sobe e desce da Avenida da Liberdade. Como a promoção do festival afirma “de palco em palco a música que mexe na cidade”.

Dia 1 – 2 de Dezembro

Um espectro do folk/country regressado à vida e uma sala, solene e vistosa, com mais de 100 anos. Que melhor forma de começar a 1ª edição do Vodafone Mexefest, a não ser com Josh T. Pearsonna Sociedade Geográfica de Lisboa? Foi ver o músico, o homem de 37 anos mais velho do mundo, a descer as escadas que dão para o palco e sabíamos que estávamos prestes a assistir a algo de muito especial. T. Pearson pegou na guitarra, queixou-se das luzes que lhe feriam a vista e avisou que as faixas iam ser calmas e longas. Muito longas. Tocou apenas quatro, pela ordem com que estão dispostas no seu magnifico disco de estreia, Last of the Country Gentlemen. A mesma mágoa, a mesma honestidade e intensidade desconcertante. Aqui não há espaços para máscaras ou enganos – quando T. Pearson murmura ” last time you left I got my drunk ass whupped in a fight”, em Sorry With a Song, ele sente os murros nos queixos e pontapés na dignidade, e nós também. Surpreendentemente, quando não estava a encher a sala com as suas histórias de dor e redenção, o norte-americano brincava. Contava piadas, amargas, mas com piada. Até sorriu umas quantas vezes, talvez numa tentativa de desmistificar a imagem do homem constantemente atormentado que a sua música tão fortemente sugere. Na solidão de um homem sozinho em palco com a sua guitarra e a sua música, o texano despediu-se com a promessa de regressar, num outro contexto, numa outra altura (T. Pearson sabia que não estava a tocar para o seu público). E subiu as escadas e desapareceu, vestido de preto da cabeça aos pés, com a barba e cabelo domados mas ainda assim selvagens, como uma visão dos westerns imaginários que povoam a nossa mente. Ficamos à espera desse regresso com a certeza de que um gentleman não deixa uma promessa por cumprir. VBP

Com o Restaurante Terraço do Hotel Tivoli extremamente bem composto para receber os Julie & the Carjackers, facto que admirou os próprios, a banda iniciou as hostes com um pedido de guerra inicial. Não se sabe se foi a resposta positiva do público ou não, mas a verdade é que arrancaram para uma actuação extremamente convincente. Apoiando-se maioritariamente no disco de estreia Parasol, mas também em alguns temas novos, os lisboetas combateram o frio que se fazia sentir no exterior, apresentando temas e sons que fazem recordar a Primavera que já lá vai, despertando sensações positivas e de agrado. Não se pode dizer que sejam o projecto mais inovador a nascer em Portugal, mas nem sempre os novos conceitos são significado de progresso e, de facto, têm o condão de aproveitar temáticas pop e indie que resultam ao vivo. Essas mesmas vertentes pop e indie são aprofundadas através do papel conciliador do órgão, da doçura e candura das vozes femininas, apoiadas na voz do frontman, que ganhou contornos agradáveis com a espécie de micro de efeitos que deu uma sensação de emissão radiofónica. Durante todo o concerto os seis elementos emanam felicidade e satisfação. Ver tantos sorrisos em palco é, claramente, contagiante. Depois de assumirem um enorme prazer e admiração por ver tanta gente a assistir, tocam a última faixa e mais conhecida, Wait By the Telephone. Sem dúvida uma boa forma de dar fim aos cerca de 45 minutos de concerto. TE

O Teatro Tivoli já se encontra preparado para receber os Hadsome Furs e desfrutar do concerto mais possesso do dia. Com uma postura a roçar o junkie, o casal canadiano começou o concerto com When I Get Back Home, do mais recente trabalhoSound Kapital e logo aos primeiros segundos são abandonados os lugares sentados e o teatro é transformado numa plateia em pé. Mais tarde e perante a positiva recepção ao casal de Montreal, Dan Boeckner referia que o seu sentimento era contrário ao teor da faixa e que não queria regressar a casa, virtude do tempo e recepção calorosa do público português e do frio horrível que se fazia sentir na sua terra natal. É impossível não vir à memória, as comparações com o movimento industrial puro e duro perante as cargas trazidas pelos sintetizadores e, acima de tudo, pela drum machine de Alexei Perry, que dá espectáculo através de um bater constante e bruto com o pé, de poses ginásticas, e que ainda teve a coragem de perguntar se era necessário tocar mais alto. Será este o maior ponto de ruptura dos Handsome Furs, ou seja, estardalhaço com fartura e demasiado em muitas situações. No fundo, muitas faixas são salvas pelo timbre vocal, altamente característico de Dan Boeckner (não seria positivo o regresso dosWolf Parade?) que lhes confere um interesse superior. Percorrendo várias faixas de Sound Kapital, entre as quais What About Us, durante a qual é encetada uma descida de Boecknerpara o meio do público que o recebe no meio de pulos. Com uma força e potência incrível, são o típico projecto que lança os foguetes e apanha as canas. TE

A correria começou rumo à sala 2 do Cinema São Jorge, onde estavam à espera os britânicos S.C.U.M Foi um choque, deixar a franqueza do cowboy texano para experimentar a teatralidade do quinteto londrino. E esse choque não foi em nada ajudado pelo som na sala, que ora abafava a voz do vocalista Thomas Cohen, um Brian Molko mais dramático, ou os sintetizadores e maquinaria da dupla Bradley Baker e Samuel Kilcoyne. Ainda assim, a banda fez o que lhe competia e apresentou o seu disco de estreia, o aclamado Again Into Eyes, para um público entusiasmado. Não faltaram à performance os singles Amber Hands e Whitechapel, a última das sete faixas tocada pela banda londrina.

Despedem-se os S.C.U.M da sala 2 e a sala 1 do São Jorge começa a encher para receber o regresso dos Fanfarlo à capital. Sala cheia, muita gente na expectativa, à espera do quinteto liderado por Simon Balthazar. Primeiro que tudo, talvez o espaço não tenha sido o mais indicado para receber o grupo londrino. Porquê? Porque é uma sala que não convida nada a abanar a anca e à dança, ao contrário da música dos Fanfarlo, com a sua mistura leve de indie pop com folk-rock. É justo dizer que ao vivo, pelo menos na passada sexta-feira, a banda não conseguiu recriar o ambiente que caracteriza as suas gravações em estúdio. Por exemplo, as harmonias vocais de Balthazar com Cathy Lucas(teclista, violinista) e Leon Beckenham (teclista, trompetista) simplesmente não funcionaram como deviam. Culpa da altura dos microfones, ou talvez não. A parte folk do som dos ingleses também sofreu: o trompete de Beckenham estava abafado algures no meio da secção rítmica, e o saxofone de Balthazar… era quase como se não estivesse lá. Apesar de tudo, meia dúzia de aventureiros ainda tentaram dançar no espaço apertado entre as cadeiras do São Jorge, as restantes centenas contentaram-se em bater o pé. Ou bater palmas fora de tempo. É uma pena, mas apesar dos bons momentos (a contagiante Luna é um dos pontos altos em Reservoir e foi também um dos pontos altos da noite de sexta) houve ali algo que falhou, na transição do disco para o palco. VBP

Ainda a ressacar do concerto dos Handsome Furs, o Teatro Tivoli prepara-se para receber outra banda proveniente do Canada. Maioritariamente presentes em Portugal para concertos em formato de DJ Set, os Junior Boys faziam a sua estreia em Lisboa. Para além de Jeremy Greenspan, o homem das multi-funções da banda, guitarrista, vocalista e teclista e de Matt Didemus, que tem a seu cargo a restante maquinaria, a banda faz-se também acompanhar por um baterista que dá uma dimensão maior ao vivo daquilo que se ouve em estúdio. Para o começo, e, diga-se, que belo começo, está destacada a faixa inicial do álbumBegone Dull Care, Parallel Lines. Apresentada numa versão mais suave mas também mais longa, é o suficiente para o prenúncio de um grande concerto. Nota-se que talvez este venha a ser um concerto de menor batida do que em álbum, mas também de uma maior sofisticação dos ínfimos pormenores conferidos pela bateria e sintetizadores. Ao fim da primeira faixa já o Teatro Tivoli está transformado em discoteca, que responde aos laivos de electro-pop simples, mas eficazes e cativantes dos naturais de Ontario. Durante mais de uma hora, os Junior Boys proporcionaram um autêntico desenrolar de momentos históricos da banda que recuperaram Bellona do álbum de estreia Last Exit, mas tambémDouble Shadow e In the Morning do seu sucessor So This Is Goodbye. Mas são as faixas de Begone Dull Care, como Work, que resultam na perfeição ao vivo. Para o encore, e já com uma visível debandada para outro concerto (consequência das várias actuações em simultâneo) estava reservado Banana Ripple do mais recente e objecto de promoção nesta tour, It’s All True, em que fica evidente a extrema fiabilidade da voz de Jeremy Greenspan, que consegue ser extremamente versátil para conferir aos Junior Boys uma imensa consonância com a cadência que é proposta pela maquinaria. Voltem sempre!

Poucas centenas de metros a sul do São Jorge, estava montada a Sala SBSR , na estação de metro dos Restauradores. Os PAUS, já habituados a isto de tocar em estações de metro, fizeram o que costumam fazer: um festão. O quarteto lisboeta, uma espécie de supergrupo local, está cada vez mais in e isso é visível com o entusiasmo com que o público sabe e grita cada frase e cada letra. Foi daqueles concertos em que deu para tudo. Deu para estrear uma nova faixa, deu para sentar metade do público, para que o pessoal ao fundo pudesse ver Albergaria e companhia. E deu, felizmente, para trazerem de volta o single Deixa-me Ser, uma faixa excelente que, estranhamente, tinha ficado de fora da setlist do concerto que a banda deu no metro da Baixa-Chiado a 18 de Novembro, o primeiro do que a banda chama a “tour dos metros”. Não faltaram também canções como o Malhão e Tronco Nu , dedicada pela banda ao Malato. Em suma, mais uma hora bem passada aos saltos com os PAUS e uma excelente forma de encerrar o primeiro dia do festival, com muita gente nova no concerto, o que é sempre bom de ver. VBP

Dia 2 – 3 de Dezembro

Se para o PA’ o primeiro dia do Vodafone Mexefest arrancou com um homem e uma guitarra acústica no palco da Sociedade Geográfica de Lisboa, o segundo dia arrancou da mesma forma, só que com abordagens completamente opostas ao instrumento. Enquanto Josh T. Pearson usa a guitarra de uma forma minimalista, quase a medo, Filho da Mãe aposta no contrário, no virtuosismo, na velocidade, na técnica. A única coisa simples na sua performance foi a forma como se apresentou: “Olá, sou o Filho da Mãe”. Tudo o resto é muito mais complicado. Faixas como Eusébio no Deserto são bons exemplos do talento de Rui Carvalho no domínio das seis cordas, com as suas acelerações e mudanças bruscas de tempo. Infelizmente, a partir de certa altura, o concerto mais parecia um jogo da apanhada, com a quantidade absurda de pessoas a circularem de um lado para outro da sala. Mas o guitarrista ex-If Lucy Fell fez o que lhe competia e tocou as suas faixas. E bem. VBP

O concerto dos EMA na Sala 2 do São Jorge começa ao som do violino eléctrico, instrumento que iria marcar a composição daquela que seria a última apresentação ao vivo, depois de uma digressão que se prolongou por três meses. Os EMA transmitiram a sensação de banda que ainda não escolheu completamente o seu rumo e ouvir temas como California em conjunto com outras partes de distorção e feedback propositado é, deveras, estranho e pouco consensual. Com um razoável desempenho instrumental, parece muitas vezes ser a voz de Erika M. Anderson que marca passo e nem o timbre vocal, nem a postura e os movimentos semelhantes aKaren O, salvam alguns momentos. O momento de maior vigor e interesse acabou por ser uma cover de Add It Up dos Violent Femmes, tocada a toda a velocidade e a conseguir aquilo que poucas covers conseguem fazer, ou seja, uma versão própria e com novidades em relação ao original.

Há algo de inocente na forma como Warren Hildebrand AKAFoxes in Fiction celebra a sua solidão em palco, escondido atrás de um sampler e de uma guitarra encharcada em efeitos. Ele está sozinho, sim senhor, mas em comunicação constante com quem assiste, ao ponto de parecer um miúdo que mal pode acreditar na sua sorte. Sim, o músico canadiano estava visivelmente chocado com a quantidade de pessoas à sua frente no terraço do fancy Hotel Tivoli; não parava de repetir que os quatro dias que esteve em Lisboa tinham sido dos melhores da sua vida. Ok…Vamos à música, então. Com apenas um LP lançado (Swung from the Branches), Foxes in Fiction viaja pelo electropop com tiques ambient e shoegaze – nada de terrivelmente inovador, mas interessante aqui e ali. Em momentos, e sei que Hildebrand não gosta da comparação, faz lembrar Bradford Cox AKA Atlas Sound. Estreou uma nova faixa (Altars), uma das melhores, com os samples e o combo voz+guitarra em harmonia perfeita. Como estava tudo de bom humor, embalado pelos sons sonhadores e etéreos de Hildebrand, ainda deu para o público posar para uma foto. O resultado já está no facebook oficial do projecto. A última e suprema prova de deslumbramento do músico canadiano: “ainda cá estou e mal posso esperar para regressar”, disse. E ainda bem, porque grande parte do público pareceu sentir o mesmo. VBP

Com a fila gigante que se formava para entrar na Sala 1 do São Jorge, notava-se que o concerto de Oh Land seria um dos mais esperados do dia a par do de James Blake. Com a carreira de bailarina interrompida devido a uma lesão, a música acabou por ser a solução para a veia artística da dinamarquesa e, a avaliar pela recepção do público, terá sido uma decisão acertada. Extremamente bem disposta e muito comunicativa, admirando os excelentes pastéis de Belém, os três músicos em palco vão despachando músicas que acabam por cumprir sempre os mesmos requisitos, baseados em bateria constante e em órgão, complementados com a voz de Nanna Fabricius, que lembra uma versão infantilizada da Björk. Antes do encore é apresentado White Nights, ao que os já poucos presentes correspondem com o refrão na ponta da língua. Para o encore já estariam ainda menos espectadores na sala, devido ao fenómeno de parque de estacionamento que este festival apresenta. É incrível a quantidade de pessoas que anda em constante andamento de entra e sai durante os concertos. Quanto ao concerto propriamente dito, acabou por não deixar grandes saudades. TE

Junto ao Tivoli, um multidão formava uma bicha grande o suficiente para dificultar o trânsito. Havia muita excitação, muita histeria, muito bigode, muito Ray-Ban e pelo menos um sobrolho franzido, de desconfiança. Lá dentro, arranjar um lugar foi uma tarefa hercúlea, tal a confusão. E ainda faltavam uns 25 minutos para o concerto do menino bonito da electrónica britânica começar. Quando James Blake finalmente sobe ao palco (acompanhado por um baterista/percussionista e um versátil guitarrista, que tratava também do sampler) o Tivoli, que já estava mais que cheio, vem abaixo em ruído. O concerto começa. É electrónica, pop, soul, uns rasgos de dubstep, claro. E começam as palmas a meio de canções, gritos, guinchos cada vez que Blake se afasta 1 milímetro do seu microfone autotunado. Sinceramente, o sobrolho franzido não percebeu se aquelas pessoas estavam lá para ouvir James Blake ou destruir James Blake, tal a histeria, tal o barulho. A certa altura, numa faixa construída em redor apenas da voz de Blake, um engraçado começa a ensaiar um berro cada vez que o jovem britânico pára para respirar. A verdade é que James Blake fez o seu concerto e se esta primeira edição do Mexefest esgotou, em muito lhe podem agradecer. E foi competente, o sobrolho franzido admite. Tocou os seus “hits”, incluindo Limit to Your Love, um dos momentos mais estridentes do concerto, que durou cerca de uma hora. Algumas pessoas ainda arriscaram uns dance moves, mas o local não era propicio e o britânico lá apresenta os dois companheiros, agradece, e vai embora. Lá fora, dizem-me, faltavam 15 minutos para o concerto acabar e ainda havia quem tentasse entrar. É daqueles fenómenos inexplicáveis, basicamente. VBP

Recuperado para a primeira edição do Mexefest, o Cabaret Maxime apresentou-se como o melhor palco para receber os When Saints Go Machine, banda que tende a recuperar sonoridades da pop e electrónica dos anos 90 e adaptá-las ao presente. A avaliar pela idade dos membros da banda, quem melhor para o fazer do que aqueles que viveram na primeira pessoa essas tendências? No fundo, acabam por ser mais uma banda que assenta nos mesmos propósitos electro que tantas outras, mas é indiscutível que temas como Kelly ou Add Endsresultam ao vivo e mostram uma banda madura, apesar do seu pouco tempo de existência.

Antes de Lindstrøm um desconhecido perguntava-me se sabia se a actuação iria ser Live ou DJ Set. Tendo em conta que nada era dito acerca da performance, supunha que seria Live, tal como assim desejava o autor da pergunta. Ambos afirmámos esperar que assim fosse. Infelizmente, as nossas preces não foram ouvidas e ao longo de mais de uma hora, aquilo que se viu e ouviu foi uma brincadeira do norueguês com equipamentos de concepção do falecido Steve Jobs. A questão que se coloca aqui é: estaria a organização a par disto? Pagou cachet por um DJ Set ou por um Live? A avaliar pela apresentação feita no folheto informativo em que apresentava Lindstrøm como um representante do space disco, calculo que não. De facto, se há coisa que não se ouviu foi o tal space disco que caracteriza o grandioso álbum Where You Go I Go Too (exceptuando cerca de dois minutos em que a faixa título foi tocada de forma brusca e mixada). Apesar de as mixes apresentadas terem qualidade, não considero o que aconteceu no Maxime como um concerto, mas sim a presença de um indivíduo a passar música e a utilizar as últimas versões de edição de som. Tanto que a certo momento, o ambiente de discoteca com o público à conversa e de costas para o palco se torna evidente. No fundo, é isso que se faz na discoteca, correcto? Entendido como um concerto foi claramente insuficiente e nada de encontro às expectativas. TE

Para fechar esta 1ª edição do festival e para apagar da mente os vestígios do pop/soul/dubstep de James Blake (emostep, como é que ainda ninguém pensou nisto?), nada melhor do que descer até ao palco SBSR na estação dos Restauradores para uma rockalhada sem tretas. Blood Red Shoes são um duo (Laura-Mary Carter  na voz e guitarra e Steven Ansell voz e bateria) mas tocam um indie rock musculado como se fosse um quarteto ou um quinteto. Fechem os olhos e digam que não é verdade. A banda percorreu canções dos seus dois discos, e tocou, para entusiasmo geral, singles como I Wish I Was Someone Better, You Bring Me Down e Don’t Ask. A energia do duo é inegável, com as suas variações entre um indie rock pesadão e ritmos mais dançáveis, a roçar o dance-punk, e deixaram até o mais céptico a bater o pé. Para o fim ficou também o momento mais triste do festival, quando a 3/4 do concerto o baterista Steven Ansell pára de tocar e salta para junto da 1ª fila do público. Um minuto de confusão, pessoal a falar, mas foi preciso acabar o concerto para este vosso escriba perceber o que se passou. Um segurança agarrou um jovem que estava simplesmente a “desfrutar” do concerto e Ansell passou-se e foi resolver a situação. “O Steven é awesome!”. Pois, parece que sim.

Foi o único momento menos bom do festival, que de resto decorreu na melhor das organizações e normalidade. Para o ano há mais, esperamos nós. VBP