P-p-p-p-p-p-p-p-p-party! Não devem haver muitas palavras mais apropriadas do que «festa» para descrever um concerto de Valient Thorr. Os cinco barbudos da Carolina do Norte são peritos em dar um concerto de rock sem merdices, à antiga, e até as faixas, misturas potentes algures entre o rock e o metal clássico, ora punk, ora stoner, respiram melhor no palco.

Metade do show em si está no frontman Valient Himself, um agitador exuberante de barba ruiva e botas a combinar, que salta, dança e faz flexões, qual instrutor de fitness possuído pelo Grande Bode.  Tudo isto só merecia mais público, mas os norte-americanos tocaram para poucas dezenas de pessoas como se a sala de Alvalade estivesse completamente cheia. A primeira foiTough Customer, seguiram-se Goveruptcy e Mask of Sanity, num concerto em que a banda se focou nos últimos dois discos,Stranger e Immortalizer. Pelo meio, Valient Himself falava e gesticulava, a explicar o que tinha em mente quando escreveu as letras de cada faixa. Ainda falou de politica, do Occupy Wall Street, traçou paralelismos engraçados entre actores e governantes e deixou bem claro a importância de não comer merda às colheres. Tudo isto com «muita energia positiva» . As palavras são dele, não minhas. Aliás, a energia era tanta que o palco ameaçou desabar várias vezes, o que não foi surpreendente, dado a resposta que a banda teve quando tocou algumas das faixas mais uptempo, comoRed Flag, Double Crossed e Sleeper Awakes, a última antes do encore. Os cinco despediram-se e o frontman foi o primeiro a regressar, exigindo de Lisboa (ou dos 70 ou 80 presentes…) um grito de guerra, o p-p-p-p-p-p-p-p-p-party da primeira linha do texto. Depois do encore ouviu-se ainda Sudden Death Is Nothing, Total Universe Man e a pertinente Infinite Lives, com que os cinco se despediram, suados mas satisfeitos, com mais uma lição na arte de como dar um show de rocknroll.

Os Jettblack, a banda que tem feito as primeiras partes dos norte-americanos durante esta tour, já deviam ter aprendido qualquer coisinha. A banda, que toca um híbrido rock/metal azeiteiro à la anos 80 (pensem Mötley Crüe com solos virtuosos, e não Iron Maiden), é competente em palco,mas ainda muito verde nestas andanças, principalmente quando comparados com os barbudos dos EUA. São ingleses, quatro, e estão a promover o disco de estreia Get Your Hands Dirty (de 2010) , que pareceu agradar pelo menos parte da plateia. Fizeram o seu papel, mas apesar do estranho apelo que um refrão como «Two hot girls coming out in the sunlight/Save me, save me! Nothing I can do gonna love ’em ’till midnight/Save me, save me!» faz ao macho latino em cada um de nós, não convenceram este escriba. Há algo de muito bizarro em ver um bando de jovens que insiste em homenagear/satirizar bandas que já se tinham separado antes sequer de eles terem nascido.

Os primeiros a pisar o palco foram os Dawnrider, uma banda doom lisboeta. Nas cinco faixas que tocaram,o que não faltou foram grandes riffs, uns atrás dos outros, quase sempre de inspiração setentista, à la Pentagram ou Black Sabbath. O quarteto, que começou a actuação com temas dos seus primeiros registos, estreou Demons Away from Me, uma autêntica viagem ao doom metal de outros tempos, que cria expectativas e das boas em relação ao próximo trabalho da banda.