Aviso à população: este não é um disco fácil. Porquê? Bom, primeiro porque os Ulver nunca foram fáceis. Segundo porque Daniel O’ Sullivan entrou a pés juntos na banda, afastou um pouco o lado negro dos noruegueses, arejou a atmosfera densa e coloriu os Ulver com os arranjos mais pop que a banda terá visto desde que faz música (já ouviram bem February MMX?). Ok, estamos cientes que com este primeiro parágrafo já haja alguns cépticos desse lado. E tendo em conta tudo aquilo que já ouvimos dos Ulver, bem… têm algumas razões.

Wars of the Roses é um disco saboroso e com o seu quê de requinte – é um álbum conceptual e tudo! –, mas momentos como a vagamente abstracta Norwegian Gothic ou a desnecessáriaStone AngelsKeith Waldrop não dirá tanto aos portugueses como aos bretões – deixam-nos a pensar que os Ulver podiam fazer mais se quisessem. O que nos leva ao próximo ponto: a produção.

É raro os Ulver gravarem um disco que não esteja um passo à frente do resto do mundo na atenção aos detalhes, o que não acontece em Wars of the Roses, onde a produção se estranha mais do que se entranha. Há um equilíbrio tonal demasiado grande e ficam alguns pormenores por ouvir. O resultado é uma (a)berrante ausência de risco e vertigem que já vimos em Blood Inside, que ainda que nem sempre seja necessária neste disco, ia bem com a luminosa prestação vocal de Krystoffer Rygg. É fácil perceber que os Ulver estão a atravessar uma nova metamorfose, mas ao contrário da de Gregor Samsa esta vai demorar um pouco mais do que uma noite.

Para já, Wars of the Roses é mais esquisso e esboço que obra final. E é verdade que ainda existem álbuns conceptuais, mas desde The Wall que ninguém consegue fazer um em condições. Ou se entra em exageros ou o trabalho fica a meio.