No campo dos nomes pitorescos, Touché Amoré será, certamente, um forte candidato a figurar num top a eles dedicado. Principalmente quando nos apercebemos de que esta banda americana se dedica a explorar o género hardcore – à primeira vista, pensar-se-ia que seria algo à volta do indie rock ou do muito em voga chillwave.

Colocando as cartas todas na mesa, convém dizer que os Touché Amoré estão longe de praticar um hardcore tradicional e badass como fazem os bem conhecidos Hatebreed ou Terror. Há quem os apelide de melodic, screamo ou post-hardcore. Tags à parte, há algo que os Touché Amoré definitivamente são: intensos.

Parting The Sea Between Brightness And Me é o segundo álbum do grupo (lançado dois anos depois do full lenght de estreia …To the Beat of a Dead Horse) e traz consigo vinte minutos vigorosos, expostos um rápido ritmo, ritmo esse apenas interrompido por algumas faixas de interlúdio. Os riffs dão primazia à melodia e a voz de Jeremy Bolm, gritada e imperativa, oferece ao disco um contorno visceral. As letras também estão longe de ser parecidas com aquilo que escreve um Jasta ou um Scott Vogel: não há qualquer apelo à superação pessoal, há somente a constatação de um sofrimento interior que é incessante.

Apesar de serem somente vinte minutos, poderá surgir uma sensação de dejá vu ao longo do álbum, já que a maioria das treze faixas são bastante similares. Os Touché Amoré poderiam ter conseguido aqui um disco notável, se tivessem extraído mais riffs como aquele que finaliza Patchfinder ou se aplicassem umas variações como acontece em Condolences, onde podemos encontrar uma música que conta somente com voz e piano.

Ainda assim, Parting The Sea Between Brightness And Me merece o hype que está a granjear, apesar de, possivelmente, To The Beat of a Dead Horse ser um álbum superior.