Apesar de variadas vezes tomarmos contacto com o seu nome em virtude do seu envolvimento em vários projectos, esparso tem sido o convívio com o seu trabalho a solo. “Guitarra 66” já se encontra encarcerado na prateleira e o início do próximo ano promete uma nova Guitarra. Desta feita, Makaka e, aquilo que já não pode ser retirado a quem compareceu no aquário da ZDB, foi a oportunidade e gentileza de ter assistido à projecção daquilo que nos trará o segundo disco de Tó Trips. Forma pura de algo que ainda nem foi levado a estúdio para gravação.

Sentado no seu pequeno banco e munido do seu dobro – instrumento no qual irá residir a força do novo longa-duração – logo se entendeu que estas novas malhas conseguem ser mais cerradas e a puxar as constantes mudanças de ritmo. A avaliar por aquilo que foi apresentado, a peripécia e a riqueza das composições parece vir a ser enorme. Os “corridinhos” potenciados pelo saltar dos dedos nas cordas mostraram que esta será mesmo uma dança que premeia novamente a circunstância e a relação colonial que nos continua a unir e a fascinar em África e, tal como vem sendo observado no trabalho com os Dead Combo, a sua identidade musical é universal.

Tó Trips apenas fez uso do dobro. Contudo, o seu característico bater de pé consoante a melodia, continua a fazer parte daquilo que se ouve, servindo como a sua própria percussão. Também o seu curvar sobre as cordas e as suas expressões mais ou menos carregadas nos anteciparam a destreza e a exigência com que as tem que encarar e, se fechássemos os olhos, poderíamos desenhar na nossa imaginação as figuras que o som nos transmitia.

Mesmo que já tenhamos falado da universalidade do som de Trips, não se pode eclipsar também a nostalgia que se sentiu em alguns temas com aquela acústica que tanto se assemelha a acompanhamento a algum fado vadio. A melancolia, tristeza, mas não só. Também a alegria e a ode popular de uma tal Dança Makaka. Ritmos esses deveras sentidos quando Bubacar Djabateacciona o seu xilofone e, juntos, conquistam o espaço sonoro com uma estranha e descoordenada experiência.

As honras de abertura couberam a Bubacar Djabate que, como o próprio definiu, era altura de brincar. De facto, o xilofone mandinga que utilizou relembra diversas melodias infantis e, em conjunto com aquela química inexplicável que este guineense conseguiu transportar, relembrou os ritmos tribais, a tradicionalidade, a fogueira e a roda dançante. E, quando pede o acompanhamento das palmas para os seus cantos, o sentimento de pertença já estava adquirido neste espaço tão longínquo da sua terra natal.