O desgrenhado herdeiro de uma juventude sónica trouxe os amigos. Que calor. O Aquário mexe-se pelos exílios de guitarra como se lhe tivessem mordido as ancas. As carcaças do passado penduradas nas rugas marginais, nos pescoços seculares, nas descortesias amplificadas que se repetem, repetem, repetem… Há um halo de suor e saliva em frequências de metrómono. Uma chuva-fantasma que vem de baixo. Um lausperene em delírio morno cheio de tons laranja-hepático até que…

Falta a luz.

As mãos esfoladas prosseguem pelas cruezas do rock coercivo, pelas guitarras verticalmente plantadas nos pés de “Grace Lake”. Somam-se dissonâncias nasaladas, elipses de tabaco incinerado dançam nos terraços logo ali ao lado. É noite de Bairro Alto, risos de esdrúxulo prazer abafados pela teimosia perene de “Speak To The Wild”, corpos solenes abstraem-se nos graves que “Cease Fire” traz na lapela. Pode-se imaginar como foi.