Os These New Puritans são uma banda com um potencial enorme. O seu primeiro álbum, Beat Pyramid, começou logo a chamar atenção, mas foi com o trabalho que lançaram este ano, Hidden, que deram realmente que falar. Donos de um som único e experimental, que mistura um pouco de tudo desde a electrónica ao hip-hop, ao vivo demonstraram esse mesmo potencial num concerto que pecou, acima de tudo, pela sua curta duração (cerca de quarenta minutos).

Num alinhamento de apenas onze canções e focado, como seria de esperar, maioritariamente no segundo álbum, deram ainda assim um bom concerto que apenas soube a pouco, dado o que a banda demonstrou em palco. Com uma pequena secção de sopro (dois saxofones) a um lado do palco, um baterista, um multi-instrumentalista que tanto batia em tambores como se dedicava ao teclado, e um vocalista que tanto pegava na guitarra como se dedicava aos loops, a banda consegue manter ao vivo aquele estilo tão seu característico em disco, enchendo o Musicbox (que se não estava esgotado, lá bem perto andou) com o seu estilo energético e, sem dúvida, único. Não falam muito, e parecem estar a tocar já a pensar no concerto seguinte; mas tocam bem, e mais não se pode pedir.

Começaram com We Want War, single do último álbum, que foi imediatamente bem recebido por um público que estava lá claramente para os ver (o concerto decorreu no âmbito do Levi’s Unfamous Awards, e três bandas tocaram antes, concorrendo para um prémio de três mil euros). Ou antes, tentaram começar: perto do início da música, houve um problema técnico e todo o som foi subitamente abaixo. Após alguns precalços e algumas tentativas, tudo lá voltou ao normal. “Take two”, disse Jack Barnett, vocalista, antes de voltar à canção que deu o mote para todo o concerto: experimentalismo no seu melhor.

Foi só à terceira canção que, como bem disse Barnett, voltaram atrás no tempo.Swords of Truth, tema do primeiro álbum, foi o primeiro belo momento da noite, ouvindo-se grande parte do público a cantar em uníssono a letra de uma canção que pôs alguns pés fora do chão e todos os corpos a abanar. Canção que representa o que a banda faz de melhor, acabou por ser dos melhores momentos de uma curta noite. Após esta viagem a um passado não tão distante, a banda voltou a concentrar-se no álbum que ali os trazia. Os ânimos acalmaram um pouco, ainda que a banda tenha estado em boa forma do início ao fim.

Hologram, em particular, resultou bastante bem ao vivo, com aqueles tambores e aquela bateria (parte tão importante do som da banda) a definir bem um ritmo contagiante. E o mesmo para Drum Courts – Where Chorals Lie. Mas pressentia-se que tudo era um aquecimento para o que ainda estava para vir, e sentia-se no ar a ansiedade pelo salto de qualidade que o concerto podia dar a qualquer momento. Salto esse que veio com um novo regresso ao primeiro álbum, com Elvis a ser recebido com gritos, saltos, e a colocar facilmente um sorriso de satisfação na cara. Música poderosa energética, e o melhor momento do espectáculo. Possivelmente a melhor canção do ainda curto repertório da banda.

Poucas músicas depois, já a banda anunciava estar a chegar à última canção, fechando bem o corpo principal do concerto com Infinity ytinifnI 5. Foram das canções onde mais se notaram a importância da secção de sopro, que ao vivo acrescenta verdadeiramente algo às canções. A banda sai do palco, e volta rapidamente, perante gritos e assobios, para um encore de apenas uma canção:White Chords. Canção onde se ouviu bem o som da guitarra esquizofrénica (no bom sentido) do vocalista, com loops, teclado e restantes instrumentos a cobrir bem uma das mais belas melodias da banda. Final mais que digno, sem dúvida. No final, a banda sai do palco sem grandes despedidas, não voltando mais, ignorando os pedidos persistentes do público. Foi a décima primeira canção, e foi também a última.

Foram cerca de quarenta minutos de uma banda que muito tem a crescer, mas que também já tem algo a dar. O seu som único e experimental mostrou já ter uma boa legião de admiradores, e foi pena terem faltado mais grandes momentos como Elvisou Hologram; mas, infelizmente, a curta duração não deixou. Ao fim de contas, soube mais a uma longa amostra do que eles podem fazer do que propriamente a um concerto completo. Foi bom, sim, e ao vivo demonstram bem aquilo de que são capazes; mas no final é impossível não sentir que tudo acabou quando podia ter começado a ficar ainda melhor. Percebe-se que, com bilhetes a seis euros e três bandas a tocar antes, o concerto não fosse ser muito longo… mas pelo menos uma hora já tinha sido melhor.

Resta apenas esperar que voltem, e que dessa vez toquem bem mais com um alinhamento muito mais completo (pouco se ouviu do primeiro álbum…). Com este bom, ainda que curto, concerto que deram, certamente terão da próxima pelo menos mais um Musicbox muito bem composto a recebê-los. Espera-se só que, da próxima, a sala fique vazia bem mais tarde.