A última cidade, berço de ambas, está estampada no boné, de pala direita, da rapper Stas Irons, regra de ouro – mostrar de onde se vem. Primeiro entrara Catherine, que consigo transporta o enorme soul do duo. Dois Macs numa mesa, dois copos em frente a cada, um prontificado dedo no play, e o beat rola. Apadrinhadas pelos Shabazz Palaces na editora Sub Pop, metaforicamente da família de A Tribe Called Quest e Erikah Badu.

Primeiros minutos revelam estranheza, entrosamento de parte a parte. À terceira, estávamos na mesma galáxia, onde as canções se mexem e vozes pululam, saltos de astronauta nas cordas vocais de Cat, ausência de gravidade nos versos térreos e mundanos deStasia. T-shirt larga da Champions, tatuagem no braço, igual também no de Cat, evidencia um pai da música negra contemporânea. O que não existiria sem aquela invasão dezombies?

Os baixos são as povoações mais extensas do seu território inerte, em que baterias de jazz se repetem em loop e fragmentos de soul dos anos 70 – típico, dançam juntamente com synths lunares, recordando em aura momentos de Deltron 3030 e dos própriosShabazz Palaces. As temáticas das suas músicas passam muito pelo empoderamento da mulher na sociedade moderna, contando episódios de engates básicos em bares e relacionamentos da caca, afastando-se das concepções padrão da mesma, com uma enorme dose de tou-me a cagar e ironia.

Com a imagem quase risível das suas danças, desajeitadas e repetidas, parecem satirizar as coreografias glamorosas que quase se confundem com o próprio estilo R&B. sua candura, de gozonas viscerais mas também de tímidas sensíveis, conquistaram facilmente um aquário bem aquecido com o calor dos corpos que o encheram. Terminado o encore, a festa continuou desde logo com um DJ set a iniciar com Aaliyah, falecida rainha de quando o R&B era de verdade, passando por uns clássicos de ODB. Pessoas bebem e dançam, trocam palavras, passas, toques, beijos, esquecem-se por umas horas do amanhã, enfim.