No decorrer dos últimos sete anos, os Thee Oh Sees já editaram mais de uma dezena de discos, para além de um sem número de colaborações e múltiplos EPs. Desta forma, não parecem sofrer do estigma da dificuldade de uma nova criação, sugerindo mesmo a ideia de que um simples ajuntamento do quarteto possa ser suficiente para que surjam novas músicas.

Por outro lado, mostram que, se são profícuos em novos lançamentos, também têm conseguido manter intacta uma identidade na forma como apresentam o seu som. Sejamos directos, desde The Cool Death of Island Raiders, passando porHelp ou Castlemania, as diferenças sonoras não são assim tão acentuadas, o que serve para demonstrar que, se a cada novo registo continuam a soar frescos e aliciantes, é porque, de facto, esta fórmula tem funcionado na perfeição.

Contudo, apesar de se manter o rock puro e o sentimento de garagem, notável em temas como Strawberries One & Two ou I Come From the Mountain, é noutras faixas de Floating Coffin, que se sente o maior arrojo, quer seja numa maior e mais inteligente utilização das vocalizações de Brigid Dawson, quer seja pela incorporação de outros conceitos, como é audível num tema comoNo Spell e o seu piscar de olho ao kraut-rock. Para além disso, nota-se que as melhorias são mais que evidentes, chegando a parecer que, desta feita, o facto de ter existido uma contribuição de todos para o processo de gravação, tenha-o tornado mais abrangente, mais congruente em termos de ideias, mais ambicioso e, acima de tudo, mais interessante para os nossos ouvidos.

Assim, não se pode imaginar que a sensação que tanto os caracteriza, em que parece que se encontram numa cave, com todo o burburinho envolvente, tenha desaparecido, até porque a gravação continua a sugerir essa perspectiva. O psicadelismo, orock puro, as pitadas de punk, os gritos desenfreados de John Dwyer no meio da cantoria, tudo se encontra, novamente no seu devido lugar. No entanto, talvez a bandalheira esteja mais contida e a garagem tenha ganho uma nova e maior dimensão.

Floating Coffin traz-nos os americanos a conseguir jogar melhor com os temas, a congregarem mais e melhor os seus devaneios e a mostrar que, ano após ano, tem sido fundamental a sua contribuição para que não nos consigamos esquecer deles.