São uma das revelações de 2009. Depois de serem aclamados pela crítica internacional e de esgotarem em poucas horas a Aula Magna, em Lisboa e a Casa da Música, no Porto, para dois concertos em Maio, eis que surgem notícias de outra visita ao nosso país, desta feita no Festival Oeiras Alive!.

Mas, afinal, qual é a fórmula dos The XX? Se musicalmente não são, propriamente, inovadores, o mais sincero que se pode dizer deles é que possuem um qualquer je ne sais quoi.No seu álbum de estreia homónimo, o trio inglês (ex-quarteto)) aposta nos riffs de guitarra que nos ficam no ouvido e na voz competente da co-vocalista, Romy Madley Croft. Por um lado, dançáveis, por outro, as suas músicas possuem uma melancolia que nos prende. Cantado a duas vozes, Crystalised, o primeiro single, é uma verdadeira homenagem ao indie-rock. Também aqui, destacam-se as guitarras, que, aliçerçadas ao baixo, marcam a diferença e nós damos connosco a cantarolá-la no banho ou no metro.

The XX conseguem ter momentos de puro brilhantismo com spoken word, que, mal damos conta, passa a coro e mostra que a pop actual pode ter qualidade.

No entanto, este é um álbum cheio de twists. VCR não consegue não nos fazer lembrar, na sua introdução, pelo baixo, uns Joy Division e, concomitantemente, umas CocoRosie, com os efeitos de xilofone. Aliás, todo o álbum é rico nesses pormenores. Pequenos pormenores de efeitos que não nos cansam. Até a própria bateria, não sendo avassaladora, marca a sua posição e faz, por exemplo, da introdução do álbum um bom momento musical.

Em Shelter, os britânicos conseguem uma proeza: a voz quase que grita pelo talabrigo, mostrando uma perfeita sincronização entre a mensagem da canção e dos vocais.

Contando a introdução, falamos em onze canções, cujas letras retratam, sobretudo, as relações humanas e as situações do dia-a-dia, onde é fulcral esse contar-a-duas-vozes (masculina e feminina).

Quem conseguiu bilhete para Maio, pode considerar-se um felizardo. É que este é, provavelmente, um grupo que funciona melhor em recinto fechado, precisamente pelos seus pormenores. Para os outros, há sempre a hipótese do Alive! e a capacidade de sermos surpreendidos por uma banda em ascensão.