2011 foi um grande ano para o post-hardcore. La Dispute,Touché Amoré, Pianos Become the Teeth e Defeaterconfirmaram as expectativas e lançaram grandes discos. E 2012 ameaça continuar essa moda – primeiro foi I.V., dos Loma Prieta, e agora os The Saddest Landscape regressam com After the Lights.

Neste registo, o que os The Saddest Landscape apresentam é uma mistura habilidosa entre a melodia emo dos anos 90 (MineralSunny Day Real Estate…) e a intensidade do screamo típico do final dessa mesma década. Pelo meio, ainda há espaço para uma ligeira influência post-rock, especialmente no som das guitarras. Nada de revolucionário, é certo, mas muito bem feito. E não deixa de ser curioso ver como o género voltou à vida nos últimos anos – quando é que podemos começar a falar de um screamo revival?

São sete faixas e tudo somado nem chega aos 25 minutos (curiosamente, também o novo dos Loma Prieta, ainda que num quadrante oposto do screamo/post-hc, não atinge a mesma duração). Por outro lado, não há neste disco nem um segundo que soe fútil ou dispensável. Não há nada que cheire sequer, remotamente, a filler. Não. Grandes riffs, melodias porreiras e uma secção rítmica muito competente. E Andy Maddox, o vocalista/guitarrista do quarteto, que tem, mais uma vez, uma performance vocal invejável. Numa cena musical que vive muito do drama e do pessimismo e da forma como uma banda consegue construir canções em redor disso, Maddox distingue-se pelo seu grito, meio tremido e vulnerável, ora limpo, ora estridente.

E as letras, meus senhores, as letras. A prosa de Maddox já tinha impressionado este vosso escriba em You Will Not Survive, o disco anterior do quarteto, e After the Lights não é diferente nesse aspecto. Negras e directas, ao ponto de serem desconfortáveis, como ler páginas de um diário alheio.

O ponto fraco aqui? Novamente, são sete faixas e tudo somado nem chega aos 25 minutos… É difícil chegar ao tema que encerra o disco, o excelente Desperate Vespers, e deixar de pensar “mas não faziam mais 10 ou 15 minutos disto?”. Apesar dos grandes discos não se medirem aos minutos…