Não reconhecer vitalidade àquilo que se tece no subsolo português é um erro comum. Outro é atestar-lhe mérito, mas ficar pelos limites dos nomes de sempre, dos locais de sempre e das faces de sempre. Há mais. No Ritz Clube, houve mais.

Em que outra situação poderíamos encontrar post-rock consistente, grind abrasivo e uma revitalização made-in segundo milénio do groove psicotrópico dos 70s? Foi por este que a noite se encerrou: os The Quartet of Woah! estiveram pelas franjas da Avenida da Liberdade para baptizar a fogo e suor o seu primeiro álbum de originais. Composto por treze temas, Ultrabomb foi combustível que ardeu durante a actuação do quarteto. Feeling a rodos, uma reminiscência de lendas como Jefferson Airplane ou Deep Purple e uma atitude de quem entende o que é a essência do rock marcaram positivamente o gig dos lisboetas.

Numa noite movida a álbuns de estreia, os Katabatic regressaram à capital para recapitularem as águas que passaram por baixo da sua ponte desde 2007, ano do EP Vago. Pesadas (pun intended), mais consistentes e invariavelmente edificadas sobre build ups e lapidações landscape-oriented, o som dos Katabatic está sólido e inevitavelmente maduro, fruto de uma banda que já anda nisto há quase uma década.

Não têm dez anos de vida. Nem sequer um. Porém, não há nada de rookie nos Besta. A sua curta história não se pode dissociar um preâmbulo que se cose a nomes como We Are The Damned, Men Eater, If Lucy Fell ou M.O.T.Ü.. Mas a sua construção sonora também não se conecta a qualquer um destes. Falemos de Napalm Death. Falemos de grind, sim. Não há muito por onde enganar: a Besta é uma estrada de um só sentido. Em frente. Em total excesso de velocidade, sem respeito por qualquer código ou cânone. Mais do que para ficar sentado a ouvir em casa, é preciso ver a Besta no seu habitat natural – o palco. Ninguém a solta às feras, ela é a fera; feita de uma voz ríspida à Magrudergrind ou Antichrist Demoncore e de um som deslavado, sujo e que fervilha a cem graus em vinte minutos de concerto. Para além dos temas de Ajoelha-te Perante a Besta, houve também oportunidade de testemunhar o irrigador caos presente no split com os espanhóis Teething, num show que apesar de não ter acontecido no mais óbvio cartaz, mostrou que o grupo é um dos melhores live acts que por aí andam.