Estivemos na Casa da Música para acompanhar o concerto dos Nova-Iorquinos The Pains of Being Pure At Heart (TPOBPAH), integrado no Optimus Clubbing de dia 17 de Novembro. Numa Sala Suggia bastante distante da enchente, o público esperava expectante pelas ingénuas e sonhadoras canções da banda, presentes num curto repertório de dois discos. Depois de uma estreia auspiciosa com The Pains Of Being Pure at Heart, o grupo não conseguiu superar o desafio do segundo álbum, decepcionando grande parte dos fãs do seu shoegaze com o lançamento de Belong.

O quinteto aparecia em palco, soavam os primeiros acordes deHeaven’s Gonna Happen Now e logo se percebia que as orelhudas canções dos álbuns tinham uma difícil transposição para concerto, coisa que se confirmou à medida que o concerto avançou. Os TPOBPAH misturavam então alguns temas inéditos como Until the Sun Explodes e Sure com outros mais familiares, presentes nos dois discos, e nem estes últimos geravam grande entusiasmo. Falta-lhes alguma garra e rasgo nos directos. Boas canções de estúdio como Stay Alive ou Heart in Your Heartbreak soaram excessivamente monótonas por culpa da aparente falta de atitude.

O concerto animou por altura de Come Saturday e sobretudo emYoung Adult Friction, malha maior da banda. Permitiram estas acrescentar alguma emotividade e o vocalista Kip Berman dava então o mote para as pessoas se levantarem e desfrutarem das canções dançando. Não se fazendo rogada, grande parte da plateia seguiu a dica e agitou o ambiente. Foi entre elogios à cidade e à própria Casa da Música, onde confessaram ser o local ideal para terminar a digressão, que abordaram mais um punhado de canções como My Terrible Friend, Everything with You e The Pains Of Being Pure at Heart.  Houve ainda espaço para um encore onde tocaram as inevitáveis A Teenager In Love e This Love Is Fucking Right!.

A ingenuidade e timidez das suas melodias é um exacto retrato da postura da banda em palco e que acaba por gerar sensações contraditórias. Se por um lado a suave e ruidosa palete sonora é enternecedora, o estilo descomprometido e acanhado com que se mostram sensibiliza mas não induz grande excitação. Tal como na temática das canções, onde retratos de adolescência imperam, o concerto chegou para nos transportar pela volátil doçura dos ambientes criados mas nunca alcançou a força necessária para nos apaixonar.