Os The Magnetic Fields fazem parte de uma categoria de grupos sobre os quais nunca se tem a certeza de como irão soar a cada disco. Aliás, essa parece, inclusivé, uma estratégia premeditada, uma vez que cada  álbum acarreta sempre uma enorme dose de surpresa.

Love At the Bottom of the Sea vem, novamente, demonstrar que aos norte-americanos não se lhes pode acusar de não serem ambiciosos e de caminharem pelas passadas da repetição. Curiosamente, dentro do próprio longe-duração, emergem faixas completamente distintas, não se ouvindo uma preocupação latente em seguir o mesmo formato sonoro em todos os momentos. A pergunta que pode surgir é se isso resulta. Já a resposta não poderia ser mais clara: nem sempre.

Stephin Merritt e os seus pares, com Love At the Bottom of the Sea, seguem a linha dos discos baseados em conceitos. Se emRealism a vertente acústica era a mais transversal, em Distortion a concepção foi formatada através da entoação de guitarras distorcidas, ao passo que 69 Love Songs previa a predominância do formato “canção”. Contudo, os descendentes de Breton, com a sua nova proposta, seguem as noções mais dançáveis, com linhagens muito mais concentradas em músicas ritmadas. Isto tudo, porventura, numa componente mais pop, articulada através da utilização abrangente de sintetizadores.

Convenientemente, em termos comerciais, os Magnetic Fields voltam a utilizar este tipo de sonoridades, as quais tinham deixado de utilizar nos três discos antecessores. Será uma nova rendição à cada vez mais actual e, por vezes, desinteressante utilização dos sintetizadores? Love At the Bottom of the Sea caracteriza-se por ser um disco imediato, com faixas extremamente curtas, em que os três minutos nunca são alcançados, mas com uma dose de humor musical que trespassa todo o registo.

Como tal, não se está diante de um trabalho nem melancólico, nem trágico, antes sim perante uma percepção humorada e bem-disposta. Uma proposta que pode, claramente, acompanhar momentos mais simpáticos, mas que não terá o poder de alterar estados de espírito, dado que não assenta numa base qualitativa constante.

Depois de mais uma reviravolta sonora, aquilo que se pode, legitimamente, questionar é o que estes magnéticos nos trarão da próxima vez e em que etapa se situarão.