Uma noite que prometia a presença inédita daquela que é muito provavelmente a banda punk com mais anos de actividade contínua – The Adicts – começou de forma bem caseira comAtentado. O crust multifacetado dos lisboetas acabou por resultar bem para aquecer os ânimos, especialmente quando tiraram da cartola a cover de Discharge.

A tour de Exploited e The Adicts é conjunta mas desta vez coube aos mais veteranos tocar primeiro. Ter como intro uma malha deBlur além da habitual “Music For The Funeral of Queen Mary” deu o mote para o tom descomprometido que marca a imagem deAdicts. Confettis, serpentinas, balões, bolas insufláveis e muitos afins foram passeando entre o palco e a plateia durante o concerto. O alinhamento foi um inevitável best-of passando várias vezes pelos memoráveis “Songs Of Praise” e “Sound Of Music”.

O enérgico Keith Warren foi o anfitrião perfeito e, entre a maquilhagem à lá “Laranja Mecânica”, as mudanças de guarda-roupa e toda a parafernália, era quase impossível adivinhar que se tratava de uma banda com 40 (!) anos de existência. No entanto, não só de saudosismo se viveu: The Adicts é uma máquina bem oleada de punk rock à antiga, talvez os melhores representantes daquilo que explodiu na segunda metade da década de 70.

Vários foram os clássicos que foram desfilando, com um dos maiores de todos – “Joker In The Pack” – já na segunda metade da actuação com direito a baralhos de carta atirados para o público, mas o melhor ficou para o fim com “Viva La Revolution” e “You’ll Never Walk Alone” já no encore. Uma verdadeira lição de perseverança e dedicação que dificilmente poderia deixar os presentes sem um sorriso nos lábios. A primeira passagem da lendária banda de Ipswich pelo país foi um enorme sucesso.

Se de festa e divertimento se fez a actuação de Adicts, já bem diferente era o ambiente de Exploited. A banda escocesa fez questão de mostrar ao que vinha abrindo com “Let’s Start A War (Said Maggie One Day)” no concerto que marcava o regresso de Wattie Buchan ao palco onde há pouco mais de um ano tinha sofrido um ataque cardíaco. Desta vez tudo correu bem melhor nesse departamento. Não faltaram clássicos como “UK 82”, “Cop Cars”, “Troops of Tomorrow” ou “SPG” mas boa parte do concerto foi dedicada a “Fuck The System”, aquele que é até à data o último álbum da banda já datado de 2003. Assim, a cadência foi sempre muito mais metalizada, embora o combo “Fuck The USA”, “Sex & Violence” e “Punks Not Dead” tenha sido aquele que mais reacções arrancou a uma plateia que não raras vezes foi invadido o palco da República da Música. Em geral, o concerto possível de Exploitedem 2015…