Quando se soube que os The Black Dahlia Murder vinham até solo nacional neste mês de Julho, foi fácil antever o muito que se iria transpirar no Cine-Teatro de Corroios. E assim que A Shrine To Madness eclodiu, a faixa inaugural de Ritual, lançado há apenas três semanas, foi como se o Furacão Ike tivesse arrombado a porta da sala, não pedindo licença a quem quer que seja para entrar.

O som esteve sofrível durante todo o serão e o início do gig dos norte-americanos não foi excepção, com as guitarras a terem largas dificuldades em penetrar na muralha criada pela bateria de Shannon Lucas e pela voz acirrada de Trevor Strnad. Indiferentes a isso, e abastecidos pelo ímpeto das categóricas Everything Went BlackNocturnal ou Necropolis, os presentes trataram de receber os The Black Dahlia Murder em modo de centrifugação, que culminou com um circle pit capaz de aparecer no Google Earth – isto se o Cine-Teatro fosse a céu aberto, claro está.

Trevor mostrava-se visivelmente satisfeito com o trinta-e-um armado sobre o cimento do recinto, distribuindo elogios e incitando a plateia a elevar o nível de demência – algo cumprido quando a banda fez questão de tocar Miasma Funeral Thirst: de headwalkings a stages dives em mortal, viu-se de tudo um pouco (se o calor não fosse tanto, talvez ainda houvesse capacidade para mais), enquanto os The Black Dahlia Murder iam mostando que é perfeitamente exequível aplicar um death metal/deathcore técnico sem aborrecer a plateia de morte.

Os The Black Dahlia Murder são precisos e contundentes no que à parte instrumental diz respeito, mas em momento algum se esquecem de incluir quem os vê nas festividades. E tendo em conta que a banda do Michigan apareceu em Portugal já em fim de tour, acaba por ser notável a energia que conseguiram demonstrar no palco de Corroios. Sem 2010 deixaram o Porto de queixo caído, em 2011 foi a vez de o fazerem mais a sul – se por cá aparecerem mais uma vez, não será de estranhar que tenham casa cheia novamente.

Os Another Day Will Come e os Blacksunrise tiveram ordens para abrir a noite. Os primeiros, ainda pouco habituados a estas andanças, conseguiram, mesmo com um som abaixo do medíocre, atrair atenções através do seu instrumental metalcore à Texas In July. Quando pareciam que tinham terminado, uma parte da plateia pediu mais e os jovens fizeram a vontade, deixando uma boa impressão à maioria dos que ao seu concerto assistiram.

Já os Blacksunrise estão longe de serem propriamente uns rookies nesta coisa. De regresso às lides com Oceanic, lançado em Maio, os lisboetas contaram estranhamente com uma acústica ainda pior, que lhes limitou bastante a performance – o baixo, por exemplo, falhou por múltiplas vezes. Lutando contra isso, o vocalista Sérgio Batista foi tentando meter a assistência a mexer, o que acabou por render alguns frutos, num concerto que, ainda assim, não passou de morno.