O novo lançamento de The Allstar Project já era esperado há muito. Afinal, já passaram quatro anos desde Your Reward…A Bullet, o debut deste quinteto. Nesses quatro anos, o post-rock entrou num decrescendo vertiginoso de qualidade: os clones de Explosions in the Sky e afins multiplicaram-se aos mil e as chamadas bandas líderes do movimento lançaram discos desinspirados uns atrás dos outros. Enquanto isso, os Allstar Project esperavam. Tudo para chegar 2011 e deitarem cá para fora Into the Ivory Tower, o lançamento mais ambicioso e maduro destes dez anos de carreira do quinteto.

Oito faixas, 54 minutos que correm com uma naturalidade só ao alcance das bandas mais competentes. Há de tudo um pouco, emInto the Ivory Tower, apesar da banda nunca se afastar muito das estruturas e composições típicas do post-rock, com todos os seus vícios e virtudes. Mas, não estamos perante um lançamento desinspirado. Não – os crescendos, o tremolo picking, os ganchos e as desacelerações estão todos onde se esperam que estejam, mas não deixam de roçar o nível do melhor post-rock que se faz lá fora. Uma coisa é reinventar a roda, outra é evoluir, crescer, mesmo com os pés assentes em território conhecido.

O álbum abre com Neighbour of the Beast, uma introdução perfeita, melódica e orelhuda, com um riff final capaz de fazer o Grande Bode em pessoa esticar o indicador e o mindinho, em sinal de aprovação (com o polegar virado para a palma da mão, sempre…). Para cortar um pouco com a muralha sonora criada pelas três guitarras, a banda usa, de forma subtil, violino e violoncelo, que dá ao som uma atmosfera mais dramática, a fazer lembrar uns Mono mais contidos.

Apesar da qualidade ao longo das oito faixas não variar muito, o destaque vai para o trio Alignment, Shifting Poles e Advent, três faixas que funcionam como uma só, épica e majestosa, como o artwork do álbum. Pelo meio, em Shifting Poles, a banda evoca os ambientes áridos dos westerns que tanto inspiraram as suas primeiras composições. Ou não tivessem um EP intituladoSomething to do With Death e uma faixa chamada Por um Punhado de Euros… Destaque também para a penúltima música, Not All a Dream, que contém a narração do poema Darkness, de Byron.

Já foi dito, mas repetimos: este foi daqueles casos raros em que a espera valeu mesmo a pena. Todos os fãs de post-rock vão encontrar em Into the Ivory Tower vários motivos para bater o pé e abanar a cabeça. Bem-vindos de volta.