Menos de dois anos após a última visita dos holandeses a Lisboa, tudo mudou. Bom, talvez não tudo. A entrega, as motivações e o poderio sonoro permanecem intactos e, mesmo que por agora seja difícil fazer ligação com os tempos de “The Verve Crusade”, e também com o legado hardcore punk que lhes estava escrito na pele, o instinto e a atitude puros continuam a ser algo inegável nos agora Swain. E, mesmo que se queiram demarcar do género e assumir uma faceta igualmente pesada, mas mais dançante, ao vivo as malhas de “Heavy Dancing” surgiram muito mais coesas e com um carácter muito menos gingão.

Se, já aquando da passagem pela sala nos Anjos, se percebeu que os na altura This Routine Is Hell tinham por cá uma legião dedicada, desta feita foi fácil entender que o empenho com que se circundava a cada tema Noam Cohen, tornando o microfone volante, não fez distinção de compromisso entre as várias fases: “Vaarwel” foi tão bem recebida com “Asleep”. Tudo isto após os constantes problemas sonoros que foram ocorrendo e que levaram Jeff Fonseca, vocalista dos Direct Effect, a lançar o repto:embrace the feedback. Assim o fizeram e, entre os frequentes apelos de Cohen a motivar que cada um siga o seu caminho, sem medos ou receios, e que procure o seu lugar ideal sem amarras, despoletaram sempre uma impactante fúria.

Todo este discurso se pode aplicar à No Borders DIY, esperando que realmente consigam encontrar uma área onde possam também eles prosseguir com as suas intenções de trazer bandas como os Swain a um local próprio, em que os possamos ouvir sem a interferência provocada pelas más condições sonoras deste tipo de espaço. Que a recompensa chegue também para vós e que estes tempos gerem mera “Nostalgia”.

Também a usufruir do seu espaço no solo, estiveram os Direct Effect que, tal como os Swain, conseguiram trazer groove e ritmo, muito em virtude do baixo triunfante, dos ritmos a preceito sacados da guitarra e da bateria que, obviamente, tem que ser o mais desordeira possível. Se “Sunburn” comprovava que existem por aqui malhas a lembrar uns Fucked Up nos seus bons tempos, no Campo Grande deu para perceber que os americanos têm bases sólidas para se tornarem cada vez menos genéricos