Fazendo jus ao nome do festival, o terceiro dia foi, no palco principal, o que mais rock trouxe ao Meco. Mas já lá vamos.

Se no palco da Antena 3, NBC e Batida aglomeram muitos festivaleiros, confirmando a sua importância no panorama nacional, no palco EDP, confirmou-se o que já se sabia: os Dead Combo são os maiores! Acompanhados na bateria por Alexandre Frazão, Tó Trips e Pedro Gonçalves tocaram e encantaram o vasto público. Se o cenário, pouco iluminado e cheio de bugigangas retro-kitsh, pretendia ser intimista, a sonoridade arrebatadora e o que se viveu na plateia foi precisamente o oposto: êxtase total!

Depois de Dead Combo, seguiram-se os sintetizadores e a doce voz de Nanna Oland Fabricius. Oh Land, como é conhecida, levou uma modesta mas entusiasmada plateia a acompanhar “wolf & I” “Speak Out Now” e “Cherry On Top”. Quem estava de passagem, acabou por ficar e não se arrependeu de ouvir e ver esta dinamarquesa, vestida angelicalmente de branco e com cabelo rebeldemente azulado.

No outro lado do recinto, ainda de dia, Zé Pedro e os restantes Ladrões do tempo, partilharam o palco principal com João Pedro Pais, Lena d’Água, Tomás Wallenstein (Capitão Fausto), Paulo Furtado, Jorge Palma e Frankie Chavez para um segundo e justo tributo a Lou Reed. O pouco público entoou meia dúzia de êxitos dos Velvet Underground e de Reed a solo, enquanto o graffiter Miguel RAM pintava uma tela com o retrato do artista norte-americano.

A plateia continuava reduzida e surpreendeu Albert Hammond Jr, que preferiu defini-la de intimista. Nem sempre com a voz afinada, o guitarrita dos Strokes proporcionou momentos de rock e por vezes de punk, como a versão dos “Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve)”, dos Buzzcocks, um dos temas que mais entusiasmou o público.

Seguiram-se os The Kills e o rock electrizante instalou-se no Meco. Com uma presença estonteante, a performance de Alison Mosshart que, com a sua agitada cabeleira oxigenada, fascinou a audiência, correndo e saltando energeticamente durante todo o espectáculo. Contudo, a dupla Alison “VV” Mosshart e Jamie “Hotel” Hince fez-se acompanhar por um par de coros e de percussão, incendiando mais o palco do que o público.

O apogeu da noite, e quiçá do festival, aconteceu com a ferocidade dos Foals. Yannis Philippakis trouxe a Portugal um excelente espectáculo de luz e uma sonoridade pujante, incentivando a euforia com “Balloons”, “My Number” e “Hummer”. Philippakis desceu à plateia, que teve também direito a crowd surfing e que só serenou para desfrutar temas como “Spanish Sahara” e “Late Night”.

Os Kasabian vieram de Leicester para encerrar o palco principal do festival e apresentarem o seu mais recente trabalho, 48:13, mas foram as incursões ao passado que mais euforias causaram. No estilo electronica-indie rock que caracteriza os Kasabian, o público entoou, pulou e moshou “Club Foot”, “Shoot the runner”, “Underdog”, havendo espaço para “Praise You” de Fat Boy Slim, que serviu de intro para “L.S.F. (Lost Souls Forever)”. O guitarrista Sergio Pizzorno instava a assistência e Tom Meighan não ficou atrás com uma atitude electrizante que contagiou o público, inflamando-o com “Vlad the Empaler” e “Fire” e despedindo-se, à capela, com um “All you need is love”… “Days are forgoten”, cantaram os Kasabian, mas este não o esqueceremos!