Quando Burial surgiu com o seu álbum homónimo em 2006, o chão de sustentação do dubstep estremeceu. Faixas como Gutted e Distant Lights alteraram a forma de encarar o género, desbravando terreno para uma abordagem mais ambiental, capaz de misturar conceitos díspares como o espaço urbano e a evasão mental.

Os Submotion Orchestra captaram a dica e deitaram mãos à obra. Em 2010, este septeto de Leeds, formado um ano antes, lançou o seu EP de estreia, onde podemos encontrar todas as raízes que fizeram raiar este Finest Hour, o primeiro longa-duração dos britânicos. Cimentado-se sobre os alicerces do dubstep, o som dos Submotion Orchestra consegue-se desdobrar em suaves melodias trip-hop/chillout, que, apesar de belas, não deixam de conter em si uma carga negativa, recordando os mestresPortishead – principalmente quando se ouve a tranquila, mas inquietante, voz de Ruby Wood, uma senhora capaz de nos fazer pensar em Beth Gibbons, mas que não ofusca em demasia o excelente trabalho dos seis instrumentistas.

Em súmula, o que os Submotion Orchestra nos oferecem é uma viagem musical nocturna, capaz de ir ao tom lúgubre de uns The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble e, em simultâneo, aterrar numa onda mais clubbing, algo que Nightmares On Wax – conterrâneo dos Submotion Orchestra – tão bem consegue. Tudo isto erguido sobre um tecido ritmíco dubstep, onde o baixo assume, claro está, um papel vociferante.