Os Sourvein são daquelas bandas que se estão um pouco nas tintas para a própria carreira. Se o seu nome se apresenta, actualmente, como um dos mais respeitados da cena sludge norte-americana, isso deve-se exclusivamente ao seu som lento e colérico, tão característico de bandas como Eyehategod ouBuzzov*en – grupos com quem têm, inclusive, uma relação de grande proximidade.
O facto de, ao longo dos quase vinte anos de percurso, terem cancelado múltiplas tours, várias vezes sem motivo aparente, faz com que o nome Sourvein provoque um certo torcer de nariz às mais variadas produtoras – recorde-se que, no passado mês de Abril, os norte-americanos anularam, pelo segundo ano consecutivo, a sua presença no SWR Barroselas Metalfest.
Como tal, a sua credibilidade nesse campo encontra-se certamente debilitada. Mas, quando o assunto é tocar o velho southern sludge (ou, como eles próprios diriam, ghetto sludge), os Sourveinmerecem que neles apostemos as nossas fichas.

Black Fangs (leiam bem o nome antes de o interpretarem erroneamente) assume-se como o terceiro longa-duração do grupo, nove anos depois de Will To Mangle, uma distância temporal que foi fraccionada por três EPs e quatro splits (para melhor situar no tempo, basta dizer que o segundo álbum ainda conta com Liz Buckingham, ela que é guitarrista de Electric Wizard desde 2005). Numa banda em que apenas Troy Medlin, vocalista e guitarrista, perdura como membro da formação original, os Sourvein conseguiram não perder qualquer das suas virtudes, mantendo, com este disco, a sua integridade estilística. Para comprovar este argumento, basta fazer rodar o álbum.

É que Fangs, faixa de abertura, apresenta-se como uma murraça digna de um peso-pesado, transportando no seu punho um riff viciante, que poderia ter sido prolongado por quanto tempo quisessem – se fosse até ao final do álbum, poucos levariam a mal. O ritmo arrastado, ornamentado pelos berros de Medlin, dão um aviso peremptório àqueles que já se preparavam para catalogar osSourvein como acabados.

A banda da Carolina do Norte consegue com Black Fangs manter-se estranhamente actual, apesar de nos presentearem com um som bastante semelhante àquele que praticavam já no split comBuzzov*en, lançado em 1996. E desde quando a repetição é um erro, quando falamos falamos de sludge desta casta? Se o fosse,Holy Transfusion seria pecado capital. Como não o é, torna-se umas das faixas mais grudentas e, por conseguinte, uma das mais aditivas de um disco que raramente se dá ao trabalho de carregar no acelerador – Gasp! é a única excepção a esta regra basilar. A fechar temos Nocturnal/Negative Phaze, onde podemos encontrar quase sete minutos de um doom/drone instrumental que nos garante que os Sourvein não voltaram aos discos a sério para cumprir calendário.

Se estão à espera de qualquer tipo de inovação, o melhor é nem sequer oferecerem uma chance a este Black Fangs. Se, por outro lado, são daqueles que se arrepiam com aqueles típicos feedbacks iniciais, que tão bem introduzem riffs vagarosos e pútridos, então este álbum é uma excelente opção a considerar.