Poucos serão aqueles a quem mais justamente seja atribuído o toque de Midas na música extrema do que a Kurt Ballou. Compor para Converge e ter uma lista de trabalhos de mistura e produção que inclui nomes como Old Man Gloom, Trap Them, The Secret High On Fire serão certamente argumentos fortes para o músico norte americano. Perante tamanho historial, seria perfeitamente natural perguntar o que aconteceria no dia em que tivesse nas mãos música fraca. Tudo isto para dizer que o maior e possivelmente único mérito de “Serpents Unleashed” é mesmo responder à questão acima formulada.

Os Skeletonwitch até não são propriamente novos nisto e a Prosthetic Records tem um catálogo digno de respeito, mas tudo aquilo que se consegue retirar de “Serpents Unleashed” é um thrash desinspirado que tenta ter laivos de black mas acaba por soar mais perto de um mau disco de melo death do que outra coisa, tal a quantidade de melodias sem ponta por onde se lhes pegue de que está repleto. Só para não sermos acusados de não ilustrar as nossas afirmações com exemplos, é ouvir “Unending, Everliving”. O mais provável depois dos aparentemente intermináveis três minutos que a constituem é odiarem quem vos fez a sugestão, seja porque gostaram dela ou simplesmente porque acabaram de a ouvir.

No fundo, as (poucas) boas ideias e a razoável execução técnica do álbum falham por cair do lado errado da ténue linha em que qualquer banda inevitavelmente caminha quando resolve escrever música extrema tão melódica e a tentar ser épica: não no lado do bom gosto, mas do outro, aquele marcado pelo enjoativo azeite moderno de uns Trivium ou Avenged Sevenfold (as nossas sinceras desculpas por evocar estes nomes, tentaremos evitá-lo de futuro de forma a não tornar este recurso numa espécie de lei de Godwin da música pesada).

Como já deve ser claro por esta altura, a resposta que “Serpents Unleashed” dá à pergunta formulada no primeiro parágrafo é consideravelmente negativa. Não que o trabalho de Ballou seja mau, porque não é. Até faz com que o contacto inicial com o quinto álbum da banda de Ohio seja quase agradável, mas assim que se começa a raspar a superfície dourada de que a produção o reveste, o que se encontra é profundamente dispensável.