Não há nada de elegante ou cristalino na pureza espalhada pelosSeven Sisters of Sleep. Há convictamente o contrário: um asco, uma náusea; um ódio expressado na saliente jugular de um Tim McCleary que berra imperceptíveis sentenças, carregadas de desprezo. Os norte-americanos fazem recordar o que o humorista Doug Stanhope dizia, há anos, quando entrava no palco: se não estão a gostar do início, não aguardem pelo fim. O desconforto só tende a aumentar.

Sendo assim, onde está a tal pureza? A pureza, aqui, faz-se da sinceridade e só vasculhando afoitamente poderemos encontrar um som mais cabal do que o dos Seven Sisters of Sleep – é sludge. Genuíno. Feito sob as arcadas de Gluey Porch Treatmentsdos Melvins. Acirrado pela gasolina dos primórdios dos Eyehategod e dos Mugwart. Robustecido, à semelhança do praticado por Jimmy Bower e Mike Williams nos anos 90, pelo punk hardcore. Riffs que nada mais ambicionam do que circular em torno da sua gravítica baixa afinação e de feedbacks que delineiam os limites entre faixas.

Consumamo-las ou não, as drogas percorrem Opium Morals do seu início ao seu término. Quando Moaths se desenraíza, abate-se um vazio que sugere apenas o universo onde os depressores controlam noite e dia. Vagaroso sistema nervoso central, que tão bem se adapta às duas velocidades por onde o álbum divaga –Reaper Christ é disto sintomaticamente ilustrativa. Já White Braidconvence-nos de que os Seven Sisters of Sleep nem precisam de dilatar o ritmo para obterem uma grande malha. E os Toadliquor precisavam? Go figure…

O sludge, o sludge cru, bem antes de receber todos os aditivos “post” e “atmospheric”, está vivo em 2013. Fechemos os olhos e acenemos a Opium Morals em concordância.