Como se o death doom apresentado no primeiro disco e serem formados pelo Tim Bagshaw e  pelos membros dos Unearthly Trance não fosse motivos mais que suficientes para ir ouvir “Emanations”, os Serpentine Path trataram de se reforçar com um dos maiores nomes do género, nada mais nada menos que Stephen Flam, guitarrista dos seminais e recentemente re-activados Winter. Não sendo aqui o principal compositor (esse continua a ser Bagshaw) assina a sua primeira malha em muito tempo, “Systematic Extinction”: sete minutos de peso que se encaixam perfeitamente neste contexto, com a frieza monolítica de um “Into Darkness” a dar lugar a uma atmosfera mais densa, por onde não escasseiam sinistras melodias.

Surpreendentemente para algo tocado a estas velocidades, “Emanations” vai directo ao assunto sem merdas de qualquer espécie. É preciso chegar a “Treacherous Waters” (terceiro tema) para vislumbrar uma introdução mais atmosférica, ainda que curta e secamente substituída por aquilo que realmente interessa – um riff lento, pesado, e por cima do qual o Ryan Lipynsky vai rispidamente cuspindo histórias de negrume. Já Jay e Darren tratam da secção rítmica com a impiedade que se espera, ora criando o pano de fundo para os riffs de Bagshaw crescerem à vontade ora acentuando-os à bruta.

O mais impressionante em “Emanations” é mesmo a forma quase despreocupada como se sucedem temas deste peso, como se os seus autores não terem nada para provar os libertasse para simplesmente escrever o que gostam sem se chatearem muito.

Comparando com a estreia homónima, a grande diferença surge na entrada da segunda guitarra, tanto pelo som mais cheio que é conseguido, como por permitir sobreposições mais interessantes entre ritmo e melodia, sendo “Claws” um bom exemplo disso. De resto, é o doom death de atmosfera fétida que se espera. Não é de forma alguma um reinventar do estilo ou o explorar de novos caminhos, mas isso já fizeram no passado sob outras designações. Com os Serpentine Path, o objectivo parece ser “simplesmente” escrever bons discos dum género que apreciam mutuamente e sob esse ponto de vista, “Emanations” cumpre aquilo a que se propõe. Lá por ser um estilo estabelecido, não significa que não existam ainda malhões por escrever e só pelo trio que fecha o disco, já este teria valido bem a pena.