Samara Lubelski escuta-se nas entrelinhas. Por norma habituada a respirar na sombra, ofertando luz aos incontáveis projectos em que oscila – seja como instrumentista, seja como produtora -, a nova-iorquina não nos exige atenção; sussura-nos. Caminhando para “String Cycle”, sétimo registo de originais, dedicado às suas livres incursões no violino, Samara falou connosco, poucos dias antes de viajar até Portugal para três datas. A também integrante de Chelsea Light Moving, devaneio artístico de Thurston Moore, visita a ZDB a 15 deste mês (com Manuel Mota na primeira parte), a Casa das Artes de Coimbra a 16 e, na sexta-feira, a Culturgestdo Porto.

Estás prestes a editar “String Cycle”, um registo que se espera imerso nas dimensões do violino. Podes detalhar um pouco mais o trabalho?

O “String Cycle” é um disco composto por duas faixas de violino, criadas de improviso e concentradas na qualidade de som. Foram gravadas após uma digressão de verão, de forma imediata e rápida.

Que papel “Wavelength”, o teu anterior disco, teve na decisão de te concentrares no violino? Quiseste retornar aos tempos de “In The Valley”, o primeiro trabalho?

O “Wavelength” poderá ter tido um pequeno papel na minha escolha (levei imenso tempo para acabá-lo), mas creio que “String Cycle” é uma reacção à grande quantidade de temas surgidos em digressões, nos últios anos. Tenho mantido sempre uma relação com o improviso, algo que é ponto assente em todos os projectos nos quais me envolvi. Na estrada, aumentei o meu conhecimento sobre esse espectro e quis explorá-lo, gravando-o.

Tens colaborado com imensa gente nas últimas duas décadas. Quão importante é teres o teu próprio espaço de criação artística?

Necessário. As melhores colaborações surgem sem instruções, em que todos os integrantes estão em pé de igualdade, decididos a desbravar campos até então desconhecidos.

Quando compões para ti, preferes fazer tudo sozinha ou há possibilidade de convidares alguém?

Os convidados têm liberdade total para adicionarem o que quiserem, mas a composição é fixa. Nicolas Vernhes (que mixou a maior parte dos meus álbuns) tem um grande controlo sobre o som final. Dito isto, faço questão que os meus discos sejam um recreio para um grande fluxo de exploração em estúdio. Não há a tentativa de ser uma “banda ao vivo”, mas uma construção de camadas, uma após outra.

Sendo de uma cidade tão ruidosa quanto Nova Iorque, como encontras a dimensão para conceber música que nos recorda espiritualidade e natureza?

Quando lá cresci, havia bastante espaço e sítios relaxados. Tento manter essa característica. E os extensos períodos nos campos do sul da Alemanha, trabalhando com Metabolismus, ajudam a que essa sensação se mantenha.

O teu concerto no Porto terá um solo especial de violino, adaptado às características da sala. Tens como hábito moldar a tua música, dependendo do espaço onde tocas?

Não, eu já tinha estruturado a digressão com base nesse solo e tive a sorte de ser convidada para actuar nesse espaço. Todas salas têm um papel no resultado do improviso, mas estou particularmente entusiasmada para tocar na Culturgest.

És também conhecida por fazer parte de Chelsea Light Moving. Após o disco de estreia, o que se segue?

Há um novo EP gravado, a ser lançado brevemente. Além disso, estou expectante para uma performance com o Thurston Moore, no final desta digressão.

Sobre Metal Mountains, outra banda onde te incluis, há novidades? O álbum “Golden Trees” terá sucessor?

Sim, definitivamente! Helen Rush tem praticamente todo o segundo disco escrito. Estamos a trabalhar nos detalhes. Vai ser bonito.

Queres mencionar mais projectos em que estejas a trabalhar?

Estou a colobarar com a Marcia Bassett de ZaimphDouble Leopards, tendo acabado também de mixar um registo de solos de guitarra e violino improvisados. A mixagem de um álbum com Thilo KhunWerner Notzel dos Metabolismus, trio de improviso, também está concluída. Um novo álbum também acabou de ser composto e está à espera da sua altura…