Dezassete anos que parecem nada. O maior trunfo do novo trabalho dos Saint Vitus é precisamente a capacidade de triturar tamanho intervalo de tempo e resumi-lo a algo insignificante. Entre hiatos, regressos e mais hiatos, a essência da banda californiana manteve-se impermeável e permenace reverente à velha máxima do grupo: born too late.

Se os Saint Vitus nunca se preocuparam em acompanhar modernices e tendências, porque haveriam de o fazer agora, no seu disco de retorno? Nasceram demasiado tarde, nunca se sincronizaram com o cronómetro dos demais e não seria agora, em 2012, que essa postura se alteraria. Thank god. Em Lillie: F-65, temos então aquilo que nos faz gostar destes irredutíveis guedelhudos:

  • Vozeirão (cada vez melhor, diga-se) e letras decadentistas de Wino? Confere.
  • Riffs vagarosos e solos desconexos de Dave Chandler? Confere.
  • Densa atmosfera, imutável desde os primórdios? Confere.

A juntar a esta basilar receita, um Henry Vasquez que solidamente se estreia na bateria de Vitus e que representa um salto qualitativo, quando comparado com Armando Acosta, ex-membro da banda, falecido em 2010. Se há algo que nos pode deixar insatisfeitos com o que este Lillie: F-65 nos traz, então o dedo acusatório terá de ser apontado à duração do álbum. Pouco mais de meia-hora, contando já com uma malha de interlúdio e outra que se limita a fechar o álbum através de três minutos desfeitos em feedbacks. Poderiam ter feito mais uma música ou outra? Sim. Mas não é por essa ausência que este disco deixa de ser um valente downer, tão ou mais forte que a droga predilecta de Chandler nos anos 70, a qual apadrinha o título deste regresso dos pais Saint Vitus.