Talvez os Russian Circles torçam o nariz perante a mudança, mas a verdade é que a génese da banda está a modificar-se. Calmamente, o trio de Chicaco caminha para paragens mais bonitas, cedendo aqui e ali aos cânones típicos do post-rock. Essa seria a maior fraqueza de Empros, não fosse este um álbum dos Russian Circles.

Nem sempre a destruição é a melhor forma de prazer criativo e revolucionário. Durante três discos, os norte-americanos ajustaram o raio da sua música ao ponto de, a partir de todos os ângulos, o som dos Russian Circles ter sempre o mesmo diâmetro inconfundível: técnico nos seus três instrumentos, pormenorizado e irrepetível. Claro que, ao fim de três ensaios, a fórmula chateia-se e é altura de se encontrar o novo valor de pi. Senhoras e senhor, os círculos em Empros já não se fazem com o antigo 3,14.

Se a técnica não é, por norma, sinónimo de melodia, os Russian Circles souberam aprimorar e equilibrar as duas medidas até à coexistência saudável de ambas no seu som. Não é de estranhar que Mlàdek soe a algo que os bons senhores do post-rock do estado do Illinois não fariam, pelo menos até entrar o peso, da mesma forma que a redução drástica dos tapings na guitarra em prol de acordes simplesmente dentro da harmonia é uma solução cada vez mais comum para não proliferação de grandes virtuosismos na guitarra.

O novo elemento melódico de Empros traz, também, um novo ambiente à música deste trio, que teve de se deparar com a dificuldade de o encaixar no feeling mais negro do que têm vindo a fazer. Os Russian Circles cumpriram esta tarefa, trouxeram o baixo para um papel de maior destaque, mas falharam no mais importante desafio do novo álbum: manter o seu legado constante e intocável. Não vai ser fácil pegar nos antigos registos depois de ouvir o novo álbum de trás para a frente, depois de ouvir momentos puramente ambientias em 309, ou de ouvir guitarras quase-indie em Atackla. É isso que determina a mudança, o que aí vem e a relação que os novos ouvintes podem vir a desenvolver com a música dos Russian Circles.

Os fãs da banda não saem logrados, contudo. Estes rapazes estão aqui para as curvas. Aliás, Empros prova que andar em linha recta é capaz de ser demasiado aborrecido para eles.