Um groove animalesco entranhado numa trovoada de blast beats, sobre a mesa? É um registo de Rotten Sound, com certeza. Quantas mais vezes necessitaremos de retirar o nosso chapéu e curvar-nos perante a perícia com que estes já quadragenários finlandeses desferem o seu grind? Quantas vezes forem necessárias, caramba, se a elevada bitola permanecer garantida – exactamente o que se sucede com este Species At War, um EP de intervalo entre Cursed e o seu próximo longa-duração. E, também, uma brilhante forma de cortarem a fita na Season of Mist, a sua nova residência.

Poderíamos afirmar que Species At War se mantém no perímetro do expectável e se confina às características essenciais daquilo que os nórdicos praticam há duas décadas. Não seria de todo mentira, mas tampouco seriam um alinhavar certeiro. Neste EP, há dois números a reter: seis e oito. Tradução: seis malhas, oito minutos. Não precisamos de todos os dedos das mãos para contarmos a duração de Species At War, que, obviamente, faz da virulência rítmica o seu maior predicado – sem grande abertura para recorrermos à botija de oxigénio, resta-nos aguentar estoicamente as seis incisivas malhas, enquanto elas se erigem com base no tradicional binómio. De um lado, o abrasivo grind com pigmentação crust; do outro os interlocutórios grooves, feitos com uma pujança singular no campo das sonoridades extremadas. Depois, há aquele singelo pormenor da guitarra de Mika Aalto, que tem só um dos mais impecáveis tons que podemos encontrar nestes mundos, tão reverantes a Entombed.

Mais veloz e ágil do que o nível apresentado em Cursed, Species At War actua como um relâmpago que nos deixa, por momentos, aperceber da próxima longa ofensiva dos finlandeses. Às trincheiras.