Há médicos que se tornam, com o passar dos anos, quase membros de facto das famílias a quem prestam os seus conhecimentos. A relação fortifica-se e quase dá vontade de convidar o “sôtor” para os anos do mais novo. Com os Rotten Sound a situação é semelhante.

Não que seja boa ideia ter Keijo Niinimaa a berrar os parabéns a uma criança. Mas porque, tal como acontece com o médico, os finlandeses têm sempre a palavra certa e o conselho ajuizado. Podemos fiar-nos neles. E se é garantido que “o Dr. Castro saberá o que fazer com esta dor que me apanha o lado esquerdo”, é também certo que os Rotten Sound não nos defraudam se formos em busca do bom e velho grind.

Uma powerhouse na cena europeia há quase duas décadas, o grupo teve em 2011 o ano de Cursed, sexto álbum de carreira. E nele podemos encontrar aquilo que exactamente esperávamos: velocidade, blast beats, riffs javardamente podres, e grooves/breaks que dão aquele gostinho sludge que tão bem fica na big picture final. Não, isto não é goregrind, pornogrind ou demais parafernália. É grind, feito pela antiga cartilha dos Napalm Death e alinhado pelo diapasão nórdico, construído em parceria com os Nasum e condimentado com o roll dos Entombed.

Dezasseis faixas, vinte e sete minutos – não esperem encontrar nada de original em comparação com o resto da discografia. Mas preparem-se para sair do consultório com uma pomada valente.