Depois de, em Novembro ter apresentado no CCB A Montanha Mágica, esta seria mais uma oportunidade para testemunhar como funcionam ao vivo os novos temas e, também, para recordar alguns clássicos da já longa carreira de Rodrigo Leão. Tocado praticamente na íntegra – só faltou O Espanhol – a mais recente proposta discográfica do ex-Sétima Legião funciona, de maneira surpreendente, melhor ao vivo. As várias faixas ganham contornos ainda mais melódicos, porventura ajudados pela ausência da bateria, conferindo às cordas, e sobretudo às teclas, um papel de maior capacidade auditiva e também de aumento de preponderância. Curiosamente, esta era uma das componentes que faltavam em disco, já que o órgão se subjugava a um papel de submissão perante os outros instrumentos.

Acompanhado por alguns dos músicos que deram corpo ao novo disco, Rodrigo Leão ganha um posicionamento de maior destaque e musicalidade. Surge a noção de que, desta forma, se compreende melhor o formato e enquadramento musical a que se propõe. Estranhamente, com menos instrumentos, e numa versão mais simplificada, foi possível absorver de forma mais imediata e fluída as várias componentes sonoras.

Se há verdade indesmentível, é que as composições de Rodrigo Leão são de uma beleza encantadora e a forma suave e discreta como são tocados os instrumentos acaba por se reflectir num processo de conquista constante com todos aqueles que presenciavam a sucessão de temas, não apenas do novo disco, mas também de propostas anteriores. Não faltaram, por exemplo, os já destacados temas como O Tango dos Malandros ou aComédia de Deus.

Os álbuns de Rodrigo Leão são, também, feitos de participações que o músico tenta enquadrar nas várias apresentações ao vivo. Desta feita, coube a Lula Pena a oportunidade de interpretar dois temas, Rosa e Pasion, que acabaram por ter, respectivamente, um carácter assimétrico de interesse. Por outro lado, Scott Matthew Thiago Petit estiveram presentes através de projecção para interpretar Terrible Dawn e o Fio da Vida. Para o final, estava guardado Alfama, tema que contou com a participação vocal de Celina da Piedade, que, com o som incrível do seu acordéon, prestou-se a mais um grande momento da noite.

Se se sentiu a falta de temas como Alma Mater ou o Café dos Imigrantes, também é possível afirmar que ao cabo de uma hora e meia de concerto, Rodrigo Leão, qual ilusionista e detentor de toques mágicos, teve a mestria e a capacidade para transformar Belém na sua própria Montanha Mágica.