Os post-rockers Riding Pânico regressaram aos concertos na noite de ontem, num Plano B bem composto. A expectativa do público era grande e a formação agora composta por Carlos “BB”, Makoto Yagyu, Jorge Manso, João Nogueira, João “Shela”Fábio Jevelim tem um público fiel que sempre faz questão de estar presente sempre que actuam ao vivo.  O objectivo do directo da noite de dia 7 foi de apresentar o novo álbum Homem Elefante, que tem lançamento para a próxima segunda-feira, 10 de Junho.  Apesar de nunca terem deixado de dar espetáculos ao vivo e normalmente tocarem todos os verões no festival Milhões de Festa, os Riding Pânico não tinham um novo disco em mãos desde Lady Cobra, lançado no longínquo ano de 2008. A maioria dos elementos fazem parte doutros projectos e isso facilmente justifica este interregno criativo. No grupo há elementos dos Paus, If Lucy Fell e Men Eater.

Como é normal nos concertos de post-rock, este ficou marcado pela multitude de emoções e sentimentos. Sempre dá vontade de fechar os olhos e a música logo nos transporta para locais épicos, onde a tranquilidade choca de frente com a ânsia. Iniciaram o certame com Blueberry Surprise  e dos seus riffs entrelaçados e delicados, donde emerge um enorme carácter cénico, resplandecente. Segue-se Zulu, onde se notam uns pozinhos étnicos no rufar da bateria, sensações inebriantes de ceticismo perante o mundo e perante a vida. Cada música do seu rock instrumental é como um desembrulhar dum presente, o ritmo e a intensidade varia e deixa-nos levar por um trilho de sensações.

Em Código Morte emerge o som de um teclado e os Riding Panico presenteiam-nos com uma marcha fúnebre, caótica e sombria. Já Dancehall, como o nome indica, é um enorme jam serpenteante e movediço que introduz levemente elementos psicadélicos, luzes, focos de cor difusos, cruzados entre guitarras. A dolorosa Parece Que Perdeste Alguém induz a fúria, a ardência da dor enquanto se soltam riffs furiosos que colidem entre si. Chega então a mais cerebral e analítica Nunca Digas Banzai, e entre gritos instrumentais dedilhados com força, que serve de passagem até  Monge Mau, ás de trunfo e última cartada deHomem Elefante, uma convulsão lenta mas abrasiva que logo se transforma num enorme rolo compressor. Este, mantem o ritmo até chegar uma surpresa. Depois de dissecado todo o novo registo, decidem viajar para Lady Cobra(2008) e presentear o público comVolvo, canção facilmente reconhecida e que é recebida com euforia e algum headbang e serve para terminar o espetáculo.

O concerto dos Riding Pânico comprova a boa forma da banda. Depois de anos a fio sem presentar os seus fãs com novidades musicais a noite comprovou o óbvio. Uma banda madura, que sabe gerir com mestria a subtileza do seu post-rock e que revela novos caminhos enquadrados coerentemente no seu percurso. Os fãs terão tempo de ouvir e memorizar os novos riffs enquanto esperam o concerto do grupo no Milhões de Festa 2013, por parte de uma banda que já é considerada de maneira carinhosa a “banda residente” do festival.