Minutos, horas, dias, meses, anos. Há determinados momentos que são oportunamente esquecidos em curtos períodos de tempo. No fundo, a grande maioria das ocorrências são facilmente descartáveis, mas não um concerto dos Converge. Mesmo que, por agora, passem cinco anos desde aquele momento de ebulição em que começaram os acordes de “Comcubine”, as recordações são mais do que muitas.

E se actualmente o Revolver se tornou numa extensão da vizinha marisqueira, os Converge naquela noite remoeram oceanos, tal o suado caos proposto. O rebuliço marinho que pouco se via naquele fim de dia foi tornado realidade dentro da sala. Malta a saltar do primeiro andar, um Jacob a gritar quase ao ouvido de cada mente que se ia expondo durante segundos na primeira fila, para ser logo substituído por outra que chegaria à frente do palco fruto da movimentação extremada a que se assistia; máquinas de fotógrafos no ar esperando ser poupadas, uma parafernália de bela desordem. Como se a violência fosse a alternativa para o compêndio de satisfação que se celebrou. Como se não só os Converge estivessem dispostos a tudo, mas cada qual estivesse também disposto a satisfatoriamente tudo perder. No fim, todos ganhámos.

Os Converge têm vários dons, mas o mais iminente é a quantidade de punhetazos que disparam. Quem os vê rejubila com a falta de clemência. Em Setembro, no Amplifest, o quarteto voltará a carga para fazer mais umas centenas de consentidas e legitimadas vítimas.