Zoologicamente falando, dificilmente o título do terceiro álbum dosRed Fang, “Whales And Leeches”, poderia ser mais enganador. A referência cetácea poderia levar a crer que a música teria um peso digno do maior mamífero que se conhece, ao passo que as capacidades de drenagem sanguínea dos vermes preferidos de Roose Bolton como que antevêem um ouvinte deixado estarrecido após a audição do álbum. Pensar que vamos ouvir onze malhas de stoner rock orelhudo cheio de sensibilidade pop, só mesmo ignorando tudo isso e imaginando o que seria a continuação lógica de “Murder The Mountains”.

Dito de outra forma, a verdade é que nem títulos nem muito menos os Red Fang devem ser levados excessivamente a sério, traço por demais evidente na atmosfera descontraída que permeia não só este novo álbum como carreira dos norte-americanos. Sem grandes surpresas, continua a ser agradável a forma como pegam em referências mais pesadas e lhes dão o ar de descomprometido de quem está a tocar com os amigos com o único intuito de fazer o que gosta e beber uns copos. Exemplos disso mesmo são a cavalgada a fazer lembrar uns High On Fire com que “DOEN” abre o disco ou uma “Crows In Swine” com um forte perfume a Mastodon, ambas inegavelmente pesadas mas com aquele lado gingão que tem vindo a caracterizar a banda de Portland.

Como que para provar que a descrição anterior faz todo o sentido, nada como uma música que vira tudo do avesso e se arrasta lentamente durante sete minutos. Eis “Dawn Rising”, porventura uma das melhores malhas que a banda já escreveu e seguramente a mais impressionante neste “Whales And Leeches”. Nem que tenha sido para melhor acomodar o registo vocal do convidado – um músico local que dá pelo nome de Mike Scheidt, diz por aí que já assinou uns discos giros – a verdade é que é o mais próximo do doom que a banda terá soado. Nós agradecemos, lamentando-se apenas que deixe a nu algumas fragilidades do resto do disco, ficando uma vontade quase irresistível de parar a coisa por ali e ir ouvir um “Catharsis” ou um “The Great Cessation”. Vamos acreditar que isso se deve mais à excelência dos Yob do que a defeitos dos Red Fang. Afinal, nem tudo o que ouvimos tem de nos deixar knock out e quando um disco termina com uma música tão contagiante e simples como “Every Little Twist”, pouco resta a fazer que não seja abrir uma cerveja e ficar a ouvir descansado de sorriso na cara.