Ao chegar perto do Musicbox evidencia-se um aviso à porta: concerto esgotado. Alguns indíviduos tentam a sua sorte mas era impossível, houve mesmo quem ao verem Bryan Giles, um dos guitarras do conjunto norte-americano a fumar um cigarro à porta, lhe fosse pedir bilhetes. Sem sucesso, no entanto. E ao entrar é possível constatar um Musicbox apertadíssimo, onde os Lord Dying estavam a queimar os últimos cartuchos da sua actuação. A mesma que devido à espera a que confinaram o PA’, por problemas informáticos à porta, não conseguimos apanhar quase nada. E ainda nos mandaram novamente para a fila, incrível a falta flexibilidade desta portaria. Quem se segue são os The Shrine, Californianos de abanão de macrocéfalos, começam com “Whistlings of Death”.

Dá gosto ver bandas com três integrantes a partir a casa assim, uma guitarra, baixo e bateria, é o que basta. Donos de um groove de casta antiga, reminiscências de Goatsnake e Kyuss, um baixo de classe que não poupou pescoços em malhas como “Zipper Tripper” – uma visita até ao deserto  – , depois perdemo-nos e andamos à procura de um oasis após beber água de dentro de um cacto. Faixas indispensáveis e naturalmente entusiásticamente recebidas como “Drinkin Man” e “ Napalm”, não faltaram. Perto do final, uma poderosíssima cover dos norte-americanos Bongripper,“The People Mover”, abraçada calorosamente por uma plateia que em muitos casos se notava que sabia do que se tratava, é fácil distinguir recepções normais das singulares, e esta foi, anteveu igualmente o final em modo punch line com a esperada “Primitive Blast”.

O cerco aperta-se cada vez mais, como é natural, e há que refeir que existe camaradagem e respeito dentro do Musicbox. Caricato o facto dos bons feelings do público contrastarem sempre com os transpirados pelo staff da casa. Os Red Fang trocaram umas ideias com o PA’ recentemente sobre o seu último registo, “Whales and Leeches”, disco saído o ano passado e que nesta tour tem o papel principal. Uns vinte minutos após a saída dos Shrine, surgem os quatro músicos. Sem qualquer suspense, iniciam avidamente: primeiro com “Hank is Dead” e, à terceira, com ainda mais força em “DOEN”, a malta estava recíproca e havendo espaço, o ritual de pancadaria teria sido activado. Ainda se fizeram umas viagens curtas pela plateia, bem como algumas incurssões do público pelo palco. “Sharks”, do primeiro registo da banda, o homónico “Red Fang” de 2009, atinge até então as reacções mais altas, as mesmas que equivalem o abraçar de “Blood Like Cream”, segunda faixa do último disco. Antes do final “Murder The Mountains” é chamado num cortante cruzamento de riffs frios em “Wires”, esta desbrava o caminho e as emoções para culminar de volta às origens, com raiva, em “Prehistoric Dog”, a terminar como o momento mais forte da noite, sem equívocos.