O segredo é não contextualizar, nem territorializar, pois nem sequer há como. Pyramids é um mafioso pandemónio ensopado em sangue, que brinca aos delitos menores como um gandula que ainda agora fumou o primeiro maço (1).

Observação.

Experiência.

Imaginação.

 “A Northern Meadow” tem dois, por vezes três, deles. Uma zaragata narcoléptica de olhos pregados no alcatrão, um saborzinho a pós-cirurgia espalhado na goela, soldadinhos de chumbo que esbofeteiam em slow motion, a dança do limbo de ancas para fora e cabelo puxado para trás, este disco não é diabólico, nem te quer sorver essa alma, calma, não é hiperbólico na extrema unção coxeante — ou psicadélico, vá, faça-te um favor –, é mais uma brochura sobre o bovino carrossel onde todos andamos de par em par –> bovinizados, anónimos, narcóticos, doentes, corriqueiros, genéricos, banais, desleixados, demasiado curtos, a três quartos fatigados, eu ouço uma vozinha cá dentro, não ouves, acredita, não ouves, tipo, estás sem laringe.

Um confessionário vazio.

(1)  Um rapazinho pediu-me ontem um cigarro. Chamemos-lhe Jamie. Pelas ruelas acabrunhadas de Aberdeen sem norte, de madeixas espetadas, as emoções de uma criancinha de braços esticados, num esforço elefantónico para que o bigode lhe cresça. É um buço, por enquanto, decalcado de um desenho animado estridente, coça o sobrolho, franze as bochechas pubescentes demasiado morenas para a Escócia que conheço e me lixa, agita a camisa de bombazina ao vento manchada à esquerda de iogurte, não tem pais para culpar pelo desnorte. Pede-me um cigarro. Espirro disfuncional, espeto um dedo no olho sem querer, não costumo reagir assim, não estou habituado, não sou sentimentaloide, caralho, não sou, a objectividade escapa-se-me no silêncio, afundo-me no casaco, tenho uma náusea límbica que me treme as mãos, abro o maço…