Não é fácil inserir os Pontiak num género musical — os elementos das músicas variam, demonstram uma riqueza linguística com capacidade para transpor as fronteiras que os norte-americanos nunca reconheceram, e que nunca delimitaram a sua capacidade criativa. O embalo com que trabalham, inquestionável, atinge-se em mais uma edição em ano de promoção de um invariavelmente psicadélico e mais riff-lead “Innocence”, na forma do 7” “Revolve”, uma colaboração inusitada e limitada com a label/promotora portuguesa.

As duas malhas inéditas, num voltar de costas à fúria embebida em fuzz do registo antecessor, retomam a psicadélica como principal tónica para o embalo do corpo, num registo combalido, mas envolvente. “Underneath Us Like a Snake”, gravada durante o verão, morde-nos na melodia de teclado, namorando a explosão controlada de um refrão locomovido a músculo de baixo; um registo que, de resto, se propaga na mesma frequência de onda de “Colors of The Limitless”, em que a guitarra assume o pico de distorção e reverberação sensual.

Numa década de actividade, o trio do estado de Virginia tem uma discografia tão recheada quanto variada, uma pirâmide dos alimentos auditivos com desequilíbrios nutricionais despoletados pelos minérios psicotrópicos que vão pejando guitarras e baixos nas suas canções. “Revolve”, com “Innocence” a pesar na bagagem, alimenta a ideia de que dois anos não representam mais do que uma pausa estratégica para os Pontiak, tão prolíferos no riff quanto nos ganchos de refrão que disferem.