Os Pallbearer andaram pelas bocas do mundo e figuraram entre os melhores álbuns de 2012 devido à sua primeira investida fúnebre “Sorrow and Extinction”. Não é de todo frequente que um primeiro trabalho faça tanto burburinho daí que “Foundations of Burden” tenha sido aguardado com expectativa.

O aspecto que imediatamente surge como novidade é o espectro sonoro. Neste álbum os agudos são mais cintilantes fazendo reduzir a penumbra de reverb que era mais evidente no anterior álbum. Deste modo, tudo soa mais pujante e mais límpido. Qual será a causa desta mudança? O que terá mudado? Billy Anderson, claro. Este produtor já acrescentou o seu pó mágico a inúmeras bandas como Amenra, Eyehategod ou Neurosis.

O segundo aspecto merecedor de destaque é o riffalhão da primeira faixa “Worlds Apart”. Cumpre a função introdutória e, ao mesmo tempo, transporta o ouvinte rapidamente para o estado de estado de espírito certo. O álbum progride maravilhosamente de forma sonhadora, espremendo o sumo de cada riff até o escrutínio sem nunca levar o ouvinte à exaustão. Tudo progride de forma dinâmica, vincada e avassaladora. Por outro lado, “Foundations of Burden” transmite harmonia e um honesto balanço perante tudo o que representa. A introdução de “Watcher In The Dark” leva-nos até aos corredores mais poeirentos da experiência humana para depois nos injectar um novo folego de poderio.

“Ashes” é uma faixa improvável uma vez que se fosse escutada isoladamente não cumpriria toda a sua função. Precisamente por esta razão representa um dos momentos mais bonitos e mais bem conseguidos. Ao mesmo tempo abre as portas para uma última faixa de melancolia, de fantasmas pendurados em cabides do passado e para um qualquer sentimento vão e expectante…