Os blues e o rock são géneros que dependeram, durante muito tempo, de dois factores essenciais: uma voz facilmente reconhecível, e solos de guitarra originais. Desde que estes componentes estivessem presentes, as pessoas não se cansavam de estruturas do tipo verso-refrão nem de “12-bar blues”. O número de géneros musicais que foi aparecendo deixou sempre algum espaço para a preservação dessa abordagem, pelo que hoje em dia não podemos falar de um revivalismo quando ouvimos algo dentro desses moldes. Mas podemos perfeitamente ouvir um álbum de 2012 e chamar-lhe “old school”.

Os Orange Goblin começaram a sua carreira em grande. Em 1995, ainda sob o nome Our Haunted Kingdom, lançaram um split com Electric Wizard, que tinham nesse mesmo ano lançado o seu álbum de estreia na Rise Above Records. Dois anos depois, os Orange Goblin fizeram o mesmo, e o seu Frequencies From Planet Ten foi recebido com óptimas críticas. Desde aí, a vertente psicadélica da sua música foi sendo relegada para planos cada vez mais secundários, o doom de músicas como The Big Black parece ter-se desvanecido, e o punk ganhou cada vez mais força, de tal modo que a saída do guitarrista Peter O’Malley em 2004 mal se fez notar. O álbum lançado em 2007 pela Sanctuary Records também não trouxe alterações perceptíveis na sonoridade geral da banda. Desde Coup de Grace, de 2002, que os Orange Goblin parecem saber exactamente o que procuram.

Cinco anos depois de Healing Through Fire e dois anos depois da reedição, remasterizada, de todos os álbuns que lançaram pela Rise Above Records, regressam agora com A Eulogy for theDamned, após nova mudança de editora. Red Tide Rising, a abrir as hostes, é a faixa quintessencial do quarteto britânico. Um instrumental enérgico, recheado de agressivos riffs, servem de base para a poderosa voz de Ben Ward. Quase que podemos dizer que quem ouve esta faixa fica a conhecer de imediato tudo o que os Orange Goblin lançaram nos últimos dez anos.

Este é, porém, um álbum um pouco mais diverso do que os que o precederam. Recuperam alguns aspectos do psicadelismo do início da carreira, recheiam as músicas de pequenos solos, Stand For Something tem passagens que soam claramente a blues-rock, o início de The Fog torna óbvias as influências de Sleep… o mais interessante neste cocktail é que ele foi bem preparado, e cada ingrediente faz sentido no seu sítio. Se há alguma objecção a colocar, ela é simples: é que tudo poderá fazer demasiado sentido, pouco havendo de surpreendente, e, como tal, de memorável.

Não é um álbum a minimizar, apesar de cinco anos de espera serem excessivos para este resultado final. Se não fosse o trabalho de estúdio com múltiplas faixas de guitarra e a inclusão de teclados, dir-se-ia que ao vivo funcionaria indubitavelmente melhor. Ainda assim, melhor do que ouvir este álbum no conforto de nossa casa, será absorvermos os riffs numa pequena sala cheia de fumo, com uma mão cerrada no ar e uma garrafa de whisky na outra.