Showcase PAD

No primeiro Domingo de Dezembro esteve um frio de rachar, mas isso não impediu o colectivo artístico PAD de tomar o Primavera de assalto. Primeiro foi Blac Koyote, projecto electrónico de ambiências soturnas de José Alberto Gomes e depois veio a pop (?) sem moldes dos Dear Telephone. Para o fim, a fechar esta série de showcases, ficou toda a cinematografia dos La La La Ressonance que lançaram, ainda este ano o seu terceiro álbum –Faust.

Teoricamente cada banda teria cerca de meia hora para mostrar as suas valências, mas, uma vez que os músicos pertencem todos ao mesmo colectivo, houve alguma “promiscuidade” entre as bandas. Blac Koyote actuou com os La La La Ressonance, que partilham elementos com os Dear Telephone que, por sua vez, já haviam emprestado músicos ao primeiro. Gostando-se mais de uma banda ou de outra, é assim que deve ser uma showcase: variada e possibilitando que os talentos colectivos das bandas se mostrem num ambiente familiar e de partilha. É também de coisas assim que se faz um festival

Cats On Fire

As portas do S. Mamede abriram-se para receber os finlandesesCats On Fire. Rapidamente, percebemos estar perante uma banda que tem clara influência de música britânica. Nalgumas das suas canções, sentimos a influência dos The Smiths, noutras dos The Housemartins, mas ainda houve toques de Belle And Sebastiane Prefab Sprout. O humor de fino recorte do vocalista Mattias Bjorkas, muito comunicativo, aliou-se à elegância dos temas que foram tocando, permitindo assim conquistar os sorrisos do público. Canções adocicadas, como 1914 and Beyond ou My Sense of Pride juntaram a melancolia e delicadeza e confirmaram a maturidade anunciada pelo lançamento do seu último álbum All Blackshirts To Me. O seu indiepop é aconchegante e animou o inicio da última noite do festival

The Vaccines

No último dia de festival a balança etária pendeu muito para o lado adolescente e os Vaccines foram mesmo os principais responsáveis por esse desvio demográfico. Ao mesmo tempo que a banda londrina não se mostrava atractiva para um número considerável de pessoas que, mesmo tendo passe geral, dispensaram a noite de Domingo, uma manada de meninas adolescentes preencheu os espaços vazios no S. Mamede. O rock ligeiro deste quarteto britânico está carregado de influências post-punk e, ainda que nenhum dos elementos da banda o seja, tem alguns salpicos de rebeldia adolescente. Esse faco, aliado ao aspecto aprazível dos rapazes (segundo dizem as vozes femininas), justifica plenamente a afluência invulgar que se verificou nesta noite. Os gritos histéricos, saltos frenéticos e braços no ar foram uma constante enquanto de ambos os lados se entoavam coisas genéricas e sem grande chama como Post Break-Up Sex ou, pior ainda, I Always Knew. Apesar de tudo, há uma coisa que ninguém pode tirar aos Vaccines e isso é o galardão do concerto mais agitado do festival.

No fundo não há nada de errado em fazer-se música para meninas de 15 anos. Este é, afinal de contas, um público-alvo como outro qualquer, mas é um grande erro de casting colocar uma banda que quase poderia ter saído de uma edição britânica dos Morangos com Açúcar (ligeira hipérbole) num festival que, tomando os outros dias como amostra, seria “para gente grande”.