O músico/produtor Daniel Lopatin tem estabelecido o seu nome no panorama electrónico underground através do seu projecto Oneohtrix Point Never. Lançando vários álbuns por ano desde 2007, sob variados nomes, existe uma evolução constante do seu som, sendo o experimentalismo o traço que mais marca a sua discografia, procurando novos caminhos por onde guiar a sua orquestra de sintetizadores.

A enorme “Physical Memory” pode ser um dos pontos altos de “Rifts”, a compilação do seu material mais antigo, e a faixa introdutória de ”Returnal” pode apresentar uma incursão pelo território do harsh noise, mas o habitat natural de Lopatin sempre foi o seu misto de drone com new age. “Replica” expandiu-o, com mais vozes, mais samples e, em dados momentos, mais tensão (“Power of Persuasion”), pelo que este “R Plus Seven” já não se apresenta como uma mudança radical.

Logo na primeira faixa, “Boring Angel”, Lopatin acrescenta ao habitual drone um órgão a tocar uma progressão de arpejos. Embora essa progressão seja previsível, o número de repetições em cada tonalidade não o é, permitindo tanto estender a música como manter o interesse. Essa abordagem, contudo, é arriscada, e a novidade já se esgotou quando chegamos ao início de “Zebra”, que vale pelos interlúdios ao motivo melódico principal. Sendo praticamente impossível superar o trabalho de mestres estabelecidos como Steve Reich ou Terry Riley (ou mesmo alguns álbuns ambientais de Brian Eno), é nos jogos fragmentados e contra-melódicos na sequência “Americans” – “He She” – “Inside World” que Lopatin mais deixa a sua marca. Ao contrário do que acontecia anteriormente na sua discografia, o número decrossfades e fade outs diminuiu, parecendo agora que os sons se afastam de nós, uma sensação de fade away que intensifica a ideia de espacialidade.

Outro destaque de “R Plus Seven” é a utilização do ritmo, pois, mesmo nas passagens onde este é claro, Lopatin prescinde de uma “batida”, de um som puramente percussivo, o que, apesar de dentro do contexto fazer sentido, não deixa de ser curioso. É a própria fluidez e exploração do álbum que nos obriga a construir uma forma de analisar as músicas, sem ideias pré-concebidas. “Still Life” é um bom exemplo disso.

Tudo isto nos leva a um pequeno impasse, pois temos de decidir como escutar “R Plus Seven”. Como música de dança, poderia funcionar com coreografias cuidadosamente planeadas, mas numa discoteca serviria apenas para desorientar as pessoas; como entretenimento de rápido consumo, pura e simplesmente não funciona, exigindo de nós demasiado; como um trabalho artístico, porém, continua o legado de John Cage, obrigando-nos a ouvirsons em vez de música.  É aí que reside o seu valor – em impedir-nos de sermos meramente sujeitos passivos à espera de um inputauditivo, obrigando-nos a usar conscientemente os nossos ouvidos.