Of The Wand & The Moon é o projecto idealizado por Kim Larssen (ex-Saturnus). Poder-se-ia tentar definir o seu som como algo complexo, um neo–folk negro extremamente influenciado pela mitologia nórdica que, mesmo assim, estaríamos longe de uma boa definição.

Complexa, não era contudo, a expectativa para um concerto, que apesar de algum atraso, não demoveu/desmotivou uma audiência de cerca 50 pessoas, a qual, e ainda sem o concerto ter começado já estava semi-conquistada por um palco decorado com vários adereços de inspiração nórdica – um valknut dominava o centro do palco; nas laterais, surgiam símbolos rúnicos; paralelamente projectavam-se imagens, que tornaram ainda mais especial o seu ambiente.

Foi com My Devotion Will Never Fade, do álbum Emptiness, Emptiness, Empetiness, que se deu o pontapé de saída. E sendo uma música guiada pelo órgão, foi um excelente tónico para uma noite que se poderá, sem exagero, proclamar de memorável e que deu direito a dos encores.

Sempre numa toada muito ambiental e melancólica, Kim desfilou as suas odes à ancestralidade, passando por outras temáticas como o amor, a alegria, as perdas e a tristeza. Temas incontornáveis e marcantes na tradição mitológica escandinava.

O concerto atravessou toda a já extensa discografia do projecto. As músicas de índole mais melancólica e depressiva são, como não poderia deixar de ser, reminiscentes dos primeiros álbuns de Saturnus – tal se deve à capacidade lírica de Kim Larssen. De reforçar que é impossível separar a tríade elementar que constitui todo o universo de Of The Wand & The Moon. A música, que ora se traduz numa ode á natureza e à espiritualidade; as letras e a sua riqueza interpretativa que nos relembram os tempos dos gloriosos bardos; e finalmente a imagética que remete para tempos antigos. As imagens, de resto, complementam directamente o imaginário e o ambiente criado. Cruzes solares, runas, florestas antigas, um fogo xamânico, todos estes elementos fizeram parte da celebração que foi este concerto.

Momento mais saliente da noite, onde somos convidados para uma viagem xamânica, para a performance de Raven Chant, uma das músicas mais conhecidas do projecto, presente no seu primeiro álbum Nighttime Nightrhymes. De destacar igualmente a cover da música Dirtnap Stories de Lee Hazelwood, que apesar de bem diferente do original, teve um sentimento de homenagem muito intenso. Além do mais, foi interessante ouvir pela voz de Kim a seguinte frase: “And I said how does it feel like all God’s promises broken”, adequando-se bastante à mensagem que Of The Wand & The Moon pretende transmitir a quem escuta a sua música.

A noite acabaria por terminar efusivamente ao som de um segundo encore no qual tocaram, segundo me pareceu, Sól Ek Sá, e com uma sensação de que se acabava de estar numa sessão de meditação. Foi um daqueles momentos em que se procura interiorizar totalmente os estímulos e sentimentos que a banda provoca em nós. E por isso e por muito mais, era uma banda que merecia muito mais gente. Talvez para a próxima.

O alinhamento de Of The Wand &The Moon @ Music Box:

  1. My Devotion Will Never Fade
  2. Summer Solstice
  3. Lion Serpent Sun
  4. Hollow Upon Hollow
  5. Nightime in Sonnenheim
  6. Hail Hail Hail
  7. Dirtnap Stories (Lee Hazelwood cover)
  8. Hold My Hand
  9. The Blood Of My Lady
  10. Here’s An Ode
  11. Time Time Time
  12. Lost In Emptiness
  13. A Pyre Of Black Sunflowers
  14. Wonderful Wonderful Sun
  15. Lucifer
  16. Raven Chant

Encore 1

  1. I Crave For You
  2. My Black Faith

Encore 2

  1. Sól Ek Sá