Entre os convidados que a Punch Magazine e a Mez Clothing trouxeram para a sua festa de lançamento pontificava Jason Chung, encarnando o seu projecto mais reconhecido, Nosaj Thing. Porém, antes disso, coube aos portugueses Exotique eFantasma animar aqueles que decidiram marcar presença bem cedo. A tarefa não era fácil e prova disso é que a sala só encheu perto da hora de inicio da actuação de Nosaj Thing, possivelmente o único motivo da vinda à sala lisboeta para a maioria dos presentes. E tal foi a afluência que o Music Box esgotou e de súbito a sensação se tornou semelhante a estar num transporte público lotado em hora de ponta.

Jason Chung, uma figura aparentemente introvertida, surgiu diante da artilharia tecnológica, mas rapidamente se transformou e atacou as máquinas com uma performance enérgica e vibrante. Assim, não demorou até que os corpos quase enlatados que preenchiam o Music Box começassem a sentir o balanço imposto pelo californiano, numa toada com raízes no Hip Hop em magistral fusão com o Glitch, alimentado por um imponente e inventivo arsenal de recursos sonoros.

Foi um arranque intenso e, como anunciado pelo próprio, com um tema inédito. Depois, uma sequência de remixes, incluindoDangerous, de Busta Rhymes, trouxe empolgamento aos mais sedentos de hip hop da “velha escola”, com destaque ainda paraWandering Star, dos Portishead. Mas, previsivelmente, foi em torno do seu Ep de estreia Views/Octopus, editado pelo próprioJason Chung, e do aclamado Drift, de 2009 (remixado pelo próprio em 2011), que girou a maior parte do alinhamento.

Ouviram-se então Fog e DISTRO, dois momentos altos de um concerto acima de tudo homogéneo, no melhor dos sentidos. Percebeu-se desde cedo que ninguém ficaria imóvel perante a actuação do norte-americano. Isto porque, ao vivo, o produtor oriundo de Los Angeles supera os discos e vai para além dos seus ambientes introspectivos e exprimentais, acresentando intensidade e energia que quase parecem esgotar as potencialidades das colunas, tão entupidas com ritmos e texturas.

Lords foi seguida de Us, que transformou a atmosfera da sala, baixou o ritmo e trouxe intimismo. Islands, remix dos The XX, funcionou como apogeu desse ambiente, proporcionando um dos momentos de maior euforia que sobressaiu por permitir ao público cantar em coro numa noite onde predominaram os temas instrumentais. Ainda IOIO, mas principalmente 1685/Bach, proporcionaram instantes de êxtase na recta final da actuação, que chegou através de uma versão remisturada de um dos seus originais mais bem conseguidos. Com este novo arranjo, Heart Empire ameaçou muitas vezes, passou por várias metamorfoses mas nunca chegou a rebentar como eventualmente se esperaria. Jason despediu-se humildemente, distribuiu agradecimentos e abandonou o palco deixando mais uma versão como pano de fundo.

Surpresa, ou talvez não, regressou momentos depois e voltou à carga com Coat of Arms, para logo encerrar com The Next Episode, uma versão de Dr. Dre, deixando a plateia uma vez mais ao rubro, visivelmente satisfeita. E quando muitos já se preparavam para abandonar a sala, eis que é anunciado um inesperado Dj Set de Nosaj Thing, cortesia que, quem sabe, foi resultado do caloroso acolhimento que recebeu do público português. Vinte minutos que nada acrescentaram à actuação principal, mas que lhe permitiram deixar a sua marca em terrenos mais convencionais do Hip Hop e do R&B, ainda que mais ao de leve.

Progressivamente o testemunho foi passado a Dj Ride, que assumiu os comandos e abriu caminho à vertente Clubbing da festa, prolongando uma noite longa e dançável, ainda reforçada com a prestação dos Dj’s Switchst(d)ance e Granada.

Deste concerto de estreia no nosso país ficam na memória a criatividade e o experimentalismo que colocaram Nosaj Thing na vanguarda da electrónica, mas sobretudo o seu cunho ao vivo que dá mais vida e força aos temas, deixando a sensação de expectativa correspondida, diria mesmo superada.