Festivais. Tudo ao molhe. Putos que se armam em adultos, adultos que querem outra vez ser putos, bandas que querem ser grandes, bandas que costumavam ser grandes, bandas que ainda são grandes, bandas que andam neste mundo como mosquitos – só servem para apitar aos ouvidos e transmitir doenças. Ao que parece, e eu nunca lá estive para comprovar, este festival é tudo isso e mais uma coisa: coroas de flores na cabeça. Ya.

Eu sou desconfiado com festivais grandes, porque há sempre aquela mania parola de ir buscar velhas glórias para fazer de conta que os anos não passam, reuniões para fazer manchete e vender bilhetes, enquanto bandas de jeito ficam atoladas ao sol em palcos de merda às cinco da tarde. Mas às vezes deixo-me de armar ao pingarelho e junto-me à maralha, porque, como todos, também preciso de contacto humano, principalmente contacto violento que envolva cuspe, palmadas no rabo, cabelos puxados, insultos, sertralina e cosplay onde ela tem de fingir que é a Lana Del Rey com daddy issues.

E, como sou desconfiado, faço previamente um trabalho minucioso de observação. O que é que vale a pena o esforço de ficar especado no meio de uma plateia onde é consensual que o Jeff Mangum é um génio e aqueles concertos onde é possível perder tempo a fazer ‘amigos’ ingleses com boa droga.

É o trigo e o joio. Os Unsane são uma ceara inteira. O noise rock é do caralho. Sons de baixo com a banha de fora, guitarras onde se escuta a mudança de pedais e os pregos todos, letras cujas metáforas envolvem depressão e noites de sexo à bruta, ritmos mais violentos do que o helicóptero do Colin McRae a tentar aterrar. E os Unsane, assim como os Shellac, são os paizinhos a que muitas bandas de hoje em dia – Kowloon Walled City, KEN modeYoung WidowsSofy Major ou mesmo os Metz nos intervalos em que não estão a copiar Nirvana – andam a pedir mesada para poderem existir. Têm das melhores capas, daquelas que eu gosto logo de mostrar quando alguém vem cá a casa, só para perceberem que estão a lidar com um sociopata alcoólico.

Unsane? São mesmo muitos anos disto, de discos impecáveis – o homónimo de estreia, na Matador é tão incrível hoje como foi em 1991 – a apanhar porcas bebedeiras em caves de Nova Iorque onde as latrinas conseguem estar mais limpas do que o palco. Se vão funcionar num desses festivais com o sol de junho a bater-lhes na testa? Eu diria que nem por isso, mas a cena é que são os Unsane. As odds estão sempre contra eles, mas depois, pá… têm o Dave Curran. O homem consegue fazer de um baptizado o novo CBGB.